Leucemia: Por que esse tipo de câncer é mais frequente em crianças?

Grande parte das crianças com leucemia não tem fatores de risco conhecidos. A boa notícia é que a sobrevida global é de mais de 90%.

Juliana Conte é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella desde 2012. Interessa-se por questões relacionadas a manejo de dores, atividade física e alimentação saudável.

Grande parte das crianças com leucemia não tem fatores de risco conhecidos. A boa notícia é que a sobrevida global é de mais de 90%.

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Publicado em: 16 de junho de 2022

Revisado em: 15 de junho de 2022

Grande parte das crianças com leucemia não tem fatores de risco conhecidos. A boa notícia é que a sobrevida global é de mais de 90%.

 

O impacto que o diagnóstico de um câncer infantil tem em uma família é grande, ainda mais quando falamos das leucemias, doença que afeta a produção dos glóbulos brancos e que é o tipo mais prevalente nas crianças. 

Apesar de rara, segundo os médicos, a leucemia infantil corresponde a 25% dos diagnósticos em pacientes de 0 a 15 anos. A leucemia linfoide aguda (LLA) é o subtipo mais comum, responsável por 75% dos casos.

Essa doença não tem relação com os hábitos de vida da criança, mas sim com alterações genéticas, diferentemente do que ocorre, em boa parte das vezes, com o câncer em pacientes adultos.

 

Veja também: Leucemias | Entrevista

Células imaturas

 

O câncer infantil afeta as células que ainda estão em fase de “crescimento”; no caso da leucemia, atinge as células sanguíneas da medula óssea, fazendo com que a doença se espalhe pelo organismo de forma mais rápida e, muitas vezes, mais agressiva. 

De maneira geral, toda a medula óssea passa a trabalhar em função dessas células doentes, e os outros componentes do sangue ficam em números extremamente reduzidos no organismo. No hemograma (exame de sangue), é possível observar níveis baixíssimos de hemoglobina e plaquetas, além da presença de blastos (células que não amadureceram o suficiente). 

 Por isso, um dos principais sintomas da leucemia em crianças são resfriados constantes, anemia, infecções de repetição, fraqueza, palidez, além da perda de peso. 

 

Mas por que isso ocorre?

 

Essa é a pergunta de milhões, segundo a médica Bianca Faustini Baglioli, especialista em oncologia pediátrica da unidade infantojuvenil do Hospital de Amor, de Barretos. 

Mas em 2018 um estudo do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, apontou que o excesso de limpeza na primeira infância e a falta de contato com “micróbios” pode gerar um sistema imunológico ”frágil”. 

“Segundo essa pesquisa, expor as crianças a fatores ambientais desde cedo modularia o sistema imunológico. Por isso, sim, é muito importante deixar a criança brincar no chão, com terra, ter contato com outras crianças. Mas é importante destacar que nada pode ser feito para impedir que algumas crianças já nasçam predispostas a desenvolver a leucemia”, explica a oncologista. 

A médica destaca ainda outros fatores ambientais que podem colaborar com o aparecimento das leucemias infantis: radiação ionizada (por exemplo, na explosão de bombas atômicas), radiação ultravioleta (exposição excessiva a raios solares) e defensivos agrícolas. 

 

Tratamento promissor

 

Ainda segundo a dra. Bianca, a taxa de sobrevida global (prognóstico do paciente após alguns anos de  tratamento) da leucemia é de 94% a 98% de cura. No Brasil chega a 74%. Para se ter uma ideia da evolução do tratamento, na década de 1970, por exemplo, esse número não chegava a 10%, devido às poucas opções medicamentosas. 

O diagnóstico precoce é fundamental, pois os cânceres de crianças e adolescentes são considerados mais agressivos e se desenvolvem rapidamente. Por outro lado, os pacientes infantis respondem melhor ao tratamento e as chances de cura são maiores, se comparado com o público adulto.

 

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