Vômitos constantes: entenda o que é a síndrome do vômito cíclico

Condição é mais comum entre crianças de idade escolar, mas também pode atingir adultos. O impacto na vida do paciente é grande. Veja quais são as opções de tratamento.

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Publicado em: 12/09/2022

Revisado em: 09/09/2022

Condição é mais comum entre crianças de idade escolar, mas também pode atingir adultos. O impacto na vida do paciente é grande. Veja quais são as opções de tratamento.

 

Imagine uma rotina que inclui vômitos e náuseas constantes, que podem durar de horas a dias. Incômoda, não? É o que vive quem tem a síndrome do vômito cíclico (SVC), condição gastrointestinal que provoca crises que nem sempre têm motivos aparentes, mas que causa grande impacto na qualidade de vida do paciente. 

De acordo com o dr. Eduardo Grecco, gastrocirurgião e endoscopista do Instituto EndoVitta, membro titular da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), a medicina ainda não desvendou o que estaria por trás da síndrome. Ou seja, não se sabe ao certo qual a sua causa, mas já se observou que ela se manifesta mais frequentemente em crianças de idade escolar – embora também possa acometer jovens adultos –, e que as crises podem estar associadas a fatores emocionais e ambientais.

“Não existe nenhum fator muito bem preestabelecido. Alguns pacientes, cerca de mais de 80%, evoluem com quadros de crise de enxaqueca. Então, pacientes que já têm enxaqueca podem apresentar também alguma alteração em relação a isso. Para as crianças em particular, a alta incidência na idade escolar talvez tenha a ver com a própria situação de mudança na alimentação, além da ansiedade em si de deixar o ambiente familiar para ir para a escola, algo muito mais ligado com o emocional do que o fisiológico”, explica o médico.

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Sintomas

Em geral, os sintomas se resumem a crises de náuseas e vômitos, que podem durar de horas a dias, e raramente têm motivo aparente. O paciente também pode experimentar dor abdominal, dor de cabeça, salivação e fotofobia (sensibilidade à luz).

As crises também podem ser desencadeadas por alguns fatores como:

  • Estresse
  • Ansiedade;
  • Infecções;
  • Cansaço físico;
  • Alimentos específicos (ex.: queijo, chocolate);
  • Menstruação;
  • Clima quente;
  • Comer em excesso/jejum.

É importante destacar que, quando não está em crise, o paciente se torna completamente assintomático. 

 

Diagnóstico

O diagnóstico é totalmente clínico, baseado na avaliação do médico dos sintomas descritos pelo paciente. Mas, para que seja fechado o diagnóstico da síndrome, alguns padrões precisam estar presentes, como conta o dr. Eduardo. 

“O diagnóstico é dado ao paciente que apresenta vários episódios de vômito durante dias, e que tenha tido pelo menos três crises em um período de seis meses. Esses vômitos vão ser recorrentes; então, se ele tiver no mínimo três crises em seis meses, é o que se preconiza para que a gente caracterize que ele está com a síndrome do vômito cíclico.”

O médico também atua na investigação do quadro com o paciente, para excluir outros possíveis diagnósticos. Nessa fase, o profissional pode solicitar alguns exames, como endoscopia, colonoscopia, exames de sangue, e checagem de intolerâncias a lactose e a glúten.

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Impacto na qualidade de vida

“É uma síndrome que incapacita totalmente o indivíduo durante os episódios de crise”, destaca o dr. Decio Chinzon, especialista em Gastroenterologia e Endoscopia da Alta Diagnósticos. Dessa forma, a depender da intensidade das crises, pode ser recomendado o afastamento temporário do trabalho e dos estudos, como esclarece o médico. 

“Nesse período, orientamos a pessoa a ficar mais isolada, priorizando estar em ambientes mais calmos e com menor exposição à luz, o que altera totalmente a rotina e a qualidade de vida do indivíduo.”

Nas mulheres, a síndrome também pode ter relação com o ciclo menstrual, o que leva a crises mais intensas durante esse período.

 

Tratamento

Não há um tratamento específico para a síndrome do vômito cíclico, ou que cure a condição definitivamente. Para devolver a qualidade de vida ao paciente, o tratamento atua em duas frentes: a ingestão de líquidos para combater a desidratação provocada pelo vômito constante, e o uso de medicamentos para controlar a náusea e diminuir os episódios de vômito em si. 

A depender do nível da crise, pode ser necessária a hidratação intravenosa, em ambiente hospitalar. Já no combate a náuseas e vômitos, o médico pode receitar medicamentos específicos. 

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