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Suplementos previnem doenças do cérebro? | Checagem

Homem com um pote branco em uma mão despejando suplementos de ômega 3 na outra mão.

Certos suplementos alimentares e vitaminas prometem prevenir doenças do cérebro e manter a saúde neurológica. Afirmação, porém, é insustentável.

 

QUEM DISSE? METRO JORNAL¹

QUANDO DISSE? 08/05/2019

O QUE DISSE? “Estes 5 suplementos são essenciais para o bom funcionamento do cérebro em qualquer fase da vida”

CHECAGEM: INSUSTENTÁVEL

 

CONTEXTO

 

Para muitas pessoas, o início de um novo ano vem acompanhado de uma lista de resoluções. Muitas vezes, entre as metas escolhidas está a adoção de novos hábitos que têm por objetivo melhorar a saúde: fazer exercícios, praticar uma dieta saudável e, mais recentemente, consumir vitaminas e suplementos alimentares.

Segundo dados do Nutrition Business Journal², em 2017 o mercado global de suplementos alimentares movimentou 128 bilhões de dólares. Uma pesquisa da Research and Markets³ estima que somente a fatia de produtos destinados à saúde do cérebro represente 11.6 bilhões de dólares em 2024.

De acordo com uma reportagem do portal médico Healthline⁴, mais de 25% dos adultos com mais de 50 anos consomem suplementos alimentares para a saúde do cérebro. Esses produtos, elaborados a partir de substâncias como minerais, ervas, vitaminas, aminoácidos e enzimas, prometem atender ao anseio de muitas pessoas por manter e melhorar o desempenho das atividades cerebrais conforme envelhecem. Dentro desse contexto, uma matéria publicada pelo jornal METRO listou os “5 suplementos alimentares essenciais para o bom funcionamento do cérebro”.
Mas será que esta moda se justifica? Nós da DROPS resolvemos checar o grau de veracidade da alegação de que suplemetos alimentares ajudam a manter e prevenir doenças do cérebro.

 

Veja também: Exercícios para o cérebro

 

CHECAGEM

 

Em 2019 uma rede global e independente de cientistas, profissionais de saúde, acadêmicos e especialistas em políticas públicas, a Global Council on Brain Health (GCBH), publicou o relatório The Real Deal on Brain Health Supplements⁵. O documento resumiu o estágio atual das evidências científicas que poderiam sustentar os benefícios alegados pelos suplementos alimentares voltados para o cérebro, especialmente aqueles para pessoas acima de 50 anos, como óleo de peixe, complexos de vitaminas B, D e E, gingko-biloba, entre outros.

No documento, o GCBH faz uma lista de 15 declarações que foram consenso entre seus membros. Entre elas estão:

  • Não recomendamos nenhum ingrediente, produto ou suplemento especificamente para saúde do cérebro, a menos que um profissional de saúde tenha identificado deficiência de nutrientes;
  • Em geral, não há evidências científicas que demonstrem que suplementos multivitamínicos melhorem a saúde do cérebro;
  • Pouquíssimos suplementos alimentares foram estudados cuidadosamente quanto aos seus efeitos na saúde cerebral. Os poucos estudos feitos de maneira adequada não encontraram benefícios para a saúde cerebral de pacientes com níveis normais de vitaminas.

Apesar de ter a população que mais consome suplementos no mundo, os EUA, por meio de sua agência reguladora Food & Drug Administration (FDA), proíbe as empresas de suplementos alimentares de fazerem marketing desses produtos alegando propriedades medicinais. Em seu site, a FDA afirma não reconhecer nenhum potencial de prevenção, diagnóstico, tratamento ou cura de qualquer doença com suplementos alimentares⁶.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) segue a mesma linha adotada pela FDA⁷ e afirma em seu site que “em nenhuma hipótese um suplemento alimentar pode apresentar indicação de prevenção, tratamento ou cura de doenças”. A entidade diz ainda que, com exceção dos suplementos de enzimas e probióticos, benefícios específicos relacionados ao consumo de suplementos só podem ser alegados quando autorizados pela Anvisa, e necessitam de comprovação científica.

Ao verificar a veracidade da frase publicada na reportagem do jornal Metro, a DROPS encontrou por meio do posicionamento oficial de uma rede internacional de profissionais de saúde a informação de que, até o momento, não há evidência científica que comprove a eficácia de suplementos alimentares com a finalidade de prevenir doenças e manter a saúde do cérebro. Desta forma, classificamos a afirmação “Estes 5 suplementos são essenciais para o bom funcionamento do cérebro em qualquer fase da vida” como INSUSTENTÁVEL.

 

Referências

 

Acesso em 08/01/2020:

¹ https://www.metrojornal.com.br/estilo-vida/2019/05/08/suplementos-nutrientes-essenciais-para-o-bom-funcionamento-cerebro-fases-da-vida.html

² https://www.nutritionbusinessjournal.com/reports/2018-global-supplement-business-report/

³ https://www.prnewswire.com/news-releases/global-116-billion-brain-health-supplements-market-to-2024-300517802.html

⁴ https://www.healthline.com/health-news/supplements-for-brain-health-are-ineffective

⁵ https://www.aarp.org/content/dam/aarp/health/brain_health/2019/06/gcbh-supplements-report-english.doi.10.26419-2Fpia.00094.001.pdf

⁶ https://www.fda.gov/food/buy-store-serve-safe-food/what-you-need-know-about-dietary-supplements

⁷ http://portal.anvisa.gov.br/suplementos-alimentares

Sobre o autor: Redação Drops

Drops é a primeira plataforma brasileira dedicada exclusivamente a checar o grau de veracidade de notícias sobre saúde veiculadas na imprensa e nas redes sociais, baseados no fact checking e na busca por evidências científicas em publicações indexadas e instituições de referência. Visite:
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