Quando levar meu filho à primeira consulta com o urologista?

Cabe aos pais levarem os meninos à primeira consulta com o urologista e incentivarem o acompanhamento com esse médico. Saiba mais.

Se incentivado desde pequeno, o menino pode encontrar no urologista um acompanhamento médico para o resto da vida. Entenda como acontece esse primeiro contato.

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Publicado em: 26/09/2022

Revisado em: 28/09/2022

Se incentivado desde pequeno, o menino pode encontrar no urologista um acompanhamento médico para o resto da vida. Entenda como acontece esse primeiro contato.

 

Depois do pediatra, vem o ginecologista. Essa é a ordem natural das coisas para as meninas, que veem o especialista como o “médico da mulher”. Mas e os meninos? A quem podem recorrer quando passam da fase de ir ao pediatra?

É aí que entra o urologista. Ainda que ele também seja um especialista, responsável por questões relacionadas ao sistema reprodutor masculino e às vias urinárias, não é preciso esperar um problema surgir para consultá-lo.

Ao visitar o urologista rotineiramente, o jovem pode sempre se atualizar e tirar suas dúvidas sobre o desenvolvimento das genitálias, a prevenção de infecções e até mesmo a iniciação sexual.

 

Quando o menino deve começar a ir ao urologista?

“O menino deixa de acompanhar o pediatra de uma maneira bastante precoce, geralmente quando as vacinas terminam. Sem esse acompanhamento, ele acaba não tendo mais nenhum seguimento médico”, explica o dr. Leonardo Seligra, urologista, andrologista e diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU – Secção SP).

Nesse cenário, o ideal é que a primeira consulta com o urologista aconteça por volta dos 10 a 12 anos – ou seja, no início da puberdade. Mesmo que o paciente não tenha iniciado a vida sexual, o especialista já é capaz de avaliar se está tudo certo com o desenvolvimento dos órgãos genitais.

Veja também: 10 perguntas e respostas sobre a primeira consulta com ginecologista

 

Como os pais podem ajudar no início?

Especialmente nesse primeiro contato, o exemplo dos pais é fundamental. Se eles não fazem seguimento médico de prevenção, o filho dificilmente vai entender que precisa de acompanhamento. “Quando o homem não tem esse médico, ele sente dificuldade em indicá-lo”, comenta o dr. Leonardo.

Por outro lado, as novas gerações têm demonstrado curiosidade cada vez mais cedo. Os adolescentes querem saber mais sobre o tamanho do pênis, o uso de preservativos, as vacinas que precisam tomar e as infecções sexualmente transmissíveis, mas sabem que o pediatra não é o médico adequado para respondê-los.

É nesse momento que os pais, principalmente aqueles que não se sentem confortáveis para falar sobre esses assuntos, devem sugerir a marcação de uma consulta com o urologista. 

“Ensinar que o médico está lá para promover saúde, tirar dúvidas e evitar problemas”, pontua o especialista.

 

O que o urologista vai perguntar na primeira consulta?

Diferentemente das meninas, que anotam, por exemplo, as características do ciclo menstrual para conversar com o ginecologista, os meninos não precisam separar nenhuma informação em especial.

O urologista vai querer saber apenas sobre o histórico médico: como está a caderneta de vacinação, como foi o desenvolvimento na infância, se já passou por algum tratamento ou cirurgia etc.

“Quanto mais cheio de pergunta vier, melhor. O que o menino precisa ter é desprendimento, disponibilidade e nenhum tipo de preconceito para tirarmos todas as dúvidas dele”, ressalta o médico.

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Na consulta, é feito algum tipo de exame?

Depois da apresentação do profissional e da investigação da história clínica do paciente, é feito um exame físico. Esse exame tem três objetivos principais:

  1. Avaliar a região genital para ver se a bolsa escrotal, os testículos e o pênis estão se desenvolvendo corretamente;
  2. Ver se há ou não a presença da fimose, um excesso de pele no pênis que pode causar problemas de desenvolvimento e higienização do órgão;
  3. Checar a presença ou não da varicocele, uma alteração nas veias dos testículos que pode provocar infertilidade no futuro. 

“A partir daí, começamos a conversar sobre as perguntas trazidas pelo paciente”, conta o dr. Leonardo.

 

Quais assuntos podem ser abordados durante a consulta?

O urologista afirma que as principais questões que os meninos levam para a consulta estão relacionadas ao desenvolvimento do órgão genital. “O meu pênis é grande ou pequeno?”, “Ele vai ficar desse jeito para sempre?” e “O tamanho está normal para a minha idade?” são alguns exemplos.

Existem ainda outros pontos que os próprios médicos costumam tratar, em especial se o jovem já tiver iniciado a vida sexual:

  • Educação sexual: Uma pesquisa divulgada pelo IBGE mostrou que, entre 2009 e 2019, o percentual de adolescentes que usaram camisinha na última relação sexual caiu de 72,5% para 59%. Em 2020, outro estudo feito pela SBU descobriu que quase 40% dos meninos não sabem sequer colocar o preservativo. Por isso, o urologista é o profissional mais indicado para tirar dúvidas sobre como usar a camisinha e quais os outros métodos de prevenção disponíveis;
  • Infecções sexualmente transmissíveis: Nos últimos tempos, tem crescido o número de diagnósticos de ISTs, como gonorreia, sífilis e uretrites. Isso está muito relacionado à diminuição do uso do preservativo, tornando os adolescentes mais vulneráveis a esse tipo de problema. O especialista é também encarregado de ensiná-los a se proteger;
  • Vacinação: Entre essas infecções, está o HPV, que pode ser prevenido com a vacinação dos meninos entre 9 e 14 anos. Ainda que o HPV esteja relacionado ao surgimento do câncer de pênis, segundo o Ministério da Saúde, menos de 40% dos jovens do sexo masculino tomaram as duas doses da vacina. É responsabilidade do urologista, portanto, incentivar a imunização completa contra a doença.

Veja também: Meninos de 9 a 14 anos devem se vacinar contra o HPV

 

Os pais vão ficar na sala o tempo todo?

Mesmo tendo várias dúvidas em relação a esses assuntos, muitos meninos evitam ir ao urologista com medo de terem que falar sobre isso na frente dos pais. Na prática, porém, não é assim que acontece:

“Toda vez que for um menor de idade, o ideal é que esteja com os pais. Mas, em algum momento da consulta, a gente sempre pede para os pais saírem a fim de conversarmos sozinhos com o adolescente e ele poder se sentir confortável em trazer questões que não teria como conversar na frente da família”, explica o dr. Leonardo.

O exame físico também é feito em uma sala separada para que o jovem não tenha que se mostrar na frente dos pais.

 

Depois de quanto tempo o menino tem que voltar ao urologista?

Se tudo estiver em ordem, o ideal é que o jovem retorne ao médico uma vez por ano com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento, o estirão da puberdade e qualquer incerteza que possa surgir no caminho. Só é necessário voltar antes se o urologista identificar alguma alteração ou pedir algum exame complementar.

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