O que pode causar a fratura no pênis e quando procurar ajuda?

A principal causa do trauma urológico é a relação sexual vigorosa. Conheça os sintomas e formas de tratamento. 


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Urologia

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Publicado em: 14/11/2023

Revisado em: 14/11/2023

A principal causa do trauma urológico é a relação sexual vigorosa. Conheça os sintomas e formas de tratamento. 

 

Um homem chega ao hospital e diz ao médico que ouviu um estalo no pênis durante a relação sexual, seguido de muita dor. Na sequência, fala, o órgão amoleceu e apresentou edema e hematoma, além de ficar torto. Esse relato, encontrado em diversos trabalhos científicos, é a típica descrição da fratura peniana, um trauma urológico raro que representa um em cada 175 mil atendimentos hospitalares de emergência, segundo estudos

A fratura ocorre especificamente na túnica albugínea, um tecido que envolve os corpos cavernosos, dois cilindros no interior do pênis (bem irrigados e semelhantes a esponjas) que se enchem de sangue quando o indivíduo recebe estímulos sexuais. Fisiologicamente falando, a ereção ocorre no momento em que esses corpos cavernosos ficam cheios de sangue. A túnica protege a região e promove a rigidez. 

“No estado de ereção, a túnica albugínea tem sua espessura original de 2 mm reduzida a 0,25 e 0,50 mm. Essa redução de aproximadamente 75% na sua espessura, acompanhada com a elevação da pressão sanguínea dentro dos corpos cavernosos que ocorre no momento da ereção, favorece a sua ruptura”, explica o dr. Rodrigo Barros, professor de Urologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

 

Causas da fratura no pênis

A fratura peniana normalmente acontece durante a relação sexual vigorosa. De forma acidental, o pênis pode bater em estruturas duras, como o períneo, região localizada nas mulheres entre a vulva e o ânus; e no homem, entre o ânus e o saco escrotal. Alguns estudos citam que a posição sexual com maior risco é aquela em que a parceira (ou parceiro) fica por cima. Nesse caso, a pessoa coloca todo o peso em cima do pênis do parceiro e não consegue interromper a relação quando o órgão acidentalmente escorrega do local onde estava. 

No entanto, segundo o dr. Barros, esse tema é “controverso”. Ele e outros pesquisadores constaram em um estudo publicado em 2017, que a principal posição associada ao trauma foi a de quatro apoios (60,8%), chamada também de “doggy style”, seguida daquela em que o homem fica por cima (30,4%). A mulher por cima foi a menos frequente (8,6%), disse. No estudo, 90 indivíduos foram ouvidos.

Além do sexo, a fratura também pode ocorrer devido à masturbação intensa e ao ato de estalar o pênis (em algumas culturas, é comum o hábito de dobrar e soltar rápido o órgão para atingir a detumescência, ou seja, deixá-lo mole). Há ainda casos de indivíduos que têm ereção noturna e rolam sobre o próprio corpo, gerando a fratura no órgão. Esses casos, no entanto, são raros. 

        Veja também: Prótese peniana: quando é indicada e como funciona

 

Sintomas da fratura no pênis

Normalmente, o paciente escuta o estalido no pênis e logo sente a dor. Na sequência, o órgão deixa seu estado ereto, e passa a apresentar edema, hematoma e uma curvatura conhecida como “deformidade em berinjela”, na qual o membro se desvia para o lado. Na maior parte dos casos, apenas a túnica albugínea é comprometida. 

No entanto, segundo estudos, em 20% dos incidentes a uretra (canal que conduz a urina do interior da bexiga para o ambiente exterior) também pode ser afetada, o que agrava a situação. “A uretra é um local extremamente sensível em todos os homens. Por isso, as lesões nessa região são de grande risco”, comenta o dr. Fernando Nestor Facio Junior, professor de urologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e presidente da Sociedade Latinoamericana de Medicina Sexual.

Nos casos em que o canal é associado à fratura, pode ocorrer sangramento através da uretra (uretrorragia) e sangue na urina (hematúria), além de dificuldade para urinar. 

 

Diagnóstico e tratamentos

Após a fratura peniana, o ideal é que se procure o serviço de emergência – de preferência um com atendimento urológico – imediatamente. O diagnóstico, segundo o especialista, é clínico, e o paciente basicamente chega ao hospital e relata o ocorrido. Na sequência, a situação é confirmada por exames de imagem, como ultrassom e ressonância magnética (essa última consegue individualizar e mostrar exatamente o local do problema). 

Após o diagnóstico, segundo ele, o tratamento recomendado é a cirurgia. O procedimento depende do tamanho e da extensão da lesão, mas normalmente dura entre uma hora ou uma hora e meia. O homem geralmente sai do hospital no período de um dia, e precisa tomar antibióticos e anti-inflamatórios. O pênis pode ser usado novamente para atividades sexuais entre 30 a 60 dias, recomenda o dr. Facio Junior.

“A cirurgia para a restituição da túnica albugínea deve ser feita o quanto antes para evitar a formação de fibrose com cicatrização errônea no local. Se a sutura não for feita de forma adequada, o indivíduo pode vir a desenvolver outro problema no futuro, que é a doença de Peyronie (tortuosidade peniana), uma enfermidade devastadora que impede a atividade sexual e tem grande relação com danos na imagem corporal e na saúde sexual do homem”, explica o doutor. 

Além da curvatura do pênis, outras complicações que podem surgir após a cirurgia são disfunção erétil e problemas psicológicos, também diz o dr. Rodrigo Barros, da UFF, que estudou o assunto em seu doutorado. A pesquisa, baseada no acompanhamento de 58 pacientes, foi publicada na revista “Urology”, em 2019. 

“No estudo, acompanhamos pacientes operados por fratura de pênis e observamos complicações sexuais como disfunção erétil e curvatura peniana em aproximadamente 13% dos casos. Sequelas psicológicas também foram observadas, como medo de uma nova fratura, causando um impacto negativo na vida sexual”, fala. 

        Veja também: Cuidados com o pênis: 10 dicas para prevenir infecções e ISTs

 

Sobre o autor: Lucas Gabriel Marins é jornalista e (quase) biólogo. Tem interesse em assuntos relacionados à ciência, saúde e economia.

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