Esquizofrenia: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

A esquizofrenia compromete diversas áreas da vida do paciente e exige tratamento para controle dos sintomas. Saiba mais.

O diagnóstico da esquizofrenia é feito a partir dos sintomas, que vão além dos delírios e alucinações. Conheça o transtorno.

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Publicado em: 20/10/2023

Revisado em: 20/10/2023

O diagnóstico da esquizofrenia é feito a partir dos sintomas, que vão além dos delírios e alucinações. Conheça o transtorno.

 

A esquizofrenia é um dos mais graves transtornos da psiquiatria e atinge cerca de 1% da população mundial. Os seus sintomas podem comprometer funções cognitivas e motoras e também o relacionamento social e profissional. No entanto, existe tratamento e é possível controlar as crises.

 

Causas da esquizofrenia

Segundo o psiquiatra dr. Ariel Lipman, diretor da SIG – Residência Terapêutica, não se sabe exatamente o que causa ou quais são os fatores de risco que levam as pessoas a desenvolver esquizofrenia. Fatores genéticos e alterações neuroquímicas ou na estrutura do cérebro são as principais hipóteses para o seu surgimento. 

De acordo com um estudo publicado na revista “Nature”, pessoas com um parente de 1° grau com esquizofrenia têm risco de aproximadamente 10% a 12% de desenvolver o transtorno em comparação ao risco de 1% na população geral. 

“E a gente também sabe que existem algumas associações comportamentais. Por exemplo, é sabida a associação do uso de algumas drogas, como maconha, com a esquizofrenia. Mas não é uma relação de causa e consequência. Não se sabe se o uso de maconha leva à esquizofrenia ou se a própria esquizofrenia faz pacientes buscarem mais o uso de maconha”, acrescenta o psiquiatra.

 

Sintomas da esquizofrenia

O transtorno costuma aparecer durante a adolescência ou no início da vida adulta, entre os 15 e 35 anos de idade. Os primeiros sintomas, no entanto, não são os mais conhecidos — delírios e alucinações. A esquizofrenia tende a começar com um isolamento social e alterações no comportamento que fazem com que o paciente seja visto pelas pessoas de seu convívio como “peculiar” ou “diferente”.

Com o passar do tempo, os sintomas podem variar entre:

  • Alucinações;
  • Delírios;
  • Diminuição ou perda das funções normais;
  • Diminuição ou perda da capacidade de expressar e receber afeto;
  • Pensamento desorganizado;
  • Comportamento bizarro;
  • Déficits de memória;
  • Dificuldade no processamento de informações;
  • E dificuldade na resolução de problemas.

“O que acontece é que a esquizofrenia tem uma fase prodrômica, ou seja, um período prévio ao aparecimento dos sintomas. Já nesse período, existem alterações do comportamento que podem ser significativas. Quando os familiares percebem nesse momento e levam o paciente para atendimento, a gente consegue uma evolução melhor do quadro”, destaca o dr. Ariel.

Veja também: Como reconhecer um surto de esquizofrenia

 

Diagnóstico e tratamento da esquizofrenia

O diagnóstico é dado pelo psiquiatra a partir da avaliação com o paciente e os familiares. Ainda que a ciência esteja caminhando para desenvolver exames de imagem e neurofuncionais que apoiem a anamnese (coleta de informações e histórico do paciente durante a consulta), o diagnóstico ainda é baseado exclusivamente nos sintomas.

O tratamento, por sua vez, é multifatorial. Ele envolve o uso de medicações e o acompanhamento da psicoterapia e da terapia ocupacional, sempre de forma bastante individualizada.

“Alguns pacientes vão precisar apenas de acompanhamento psiquiátrico e ajuda no desenvolvimento de suas atividades. Outros, de um esquema mais intensivo. Cada caso é um caso, mas a abordagem deve ser sempre multifatorial, com o psiquiatra e outros profissionais presentes ao longo do processo”, ressalta o especialista.

 

Prognóstico da esquizofrenia

Uma vez que o paciente desenvolva esquizofrenia, os sintomas irão acompanhá-lo pelo resto da vida. Muitas vezes, causando alto grau de disfuncionalidade, incapacidade laboral e dificuldade nos relacionamentos.

No entanto, através de políticas públicas, é possível oferecer ambientes mais capacitados para receber pessoas com esquizofrenia. O dr. Ariel afirma que muitos pacientes têm capacidade de cursar uma faculdade, mas é importante que a instituição esteja capacitada para isso.

Seguindo o tratamento adequadamente, ⅔  das pessoas com esquizofrenia conseguem alcançar uma melhora moderada ou significativa em relação ao transtorno.

Veja também: Esquizofrenia não tratada: quais as consequências?

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