Drauzio Varella

PSA depois dos 75 anos | Artigo

O valor do PSA depois dos 75 anos no diagnóstico precoce do câncer de próstata é um dos temas mais controversos da medicina moderna. 

O valor do PSA depois dos 75 anos no diagnóstico precoce do câncer de próstata é um dos temas mais controversos da medicina moderna. 

 

Michael Barry, da Universidade Harvard, acaba de publicar na revista The New England Journal of Medicine, um artigo no qual questiona a utilidade do exame depois dos 75 anos.

Sem a pretensão de resolver a controvérsia, leitor, vou explicar as dúvidas que cercam esse exame.

O PSA é uma proteína que a próstata libera na circulação. Quando ocorre proliferação de células prostáticas, seu valor aumenta. A subida não indica a presença de câncer (porque prostatites e as hiperplasias benignas que surgem com a idade também aumentam o PSA), mas cria incerteza.

Diante da suspeita, está indicada a biópsia, procedimento geralmente seguro e indolor (quando feito com anestesia geral), porém de custo alto e sujeito a complicações.

A partir dos anos 1990, quando o teste se tornou disponível, ocorreu uma revolução no diagnóstico precoce dessa neoplasia que se instala em um de cada seis homens com mais de 50 anos.

A determinação anual do PSA permitiu detectar a doença cinco a dez anos antes das manifestações clínicas. Muitos homens estão vivos graças à existência do exame.

Agora, vamos aos problemas criados por ele:

Como colocar ordem nessas informações?

Embora os dados falem a favor de realizar o exame uma vez por ano, a partir dos 50 anos de idade (ou antes naqueles com parentes de primeiro grau que tiveram a doença), a balança do risco-benefício pende para o lado do risco depois dos 75 anos.

Como nos mais velhos, existe uma relação direta entre a expectativa de vida e a avaliação que cada um faz de seu próprio estado de saúde, Michael Barry sugere a estratégia que resumo abaixo:

É importante deixar claro que essas discussões em torno da conveniência ou não de acompanhar o PSA, levam em conta o risco-benefício da aplicação em massa do teste.

No plano individual, é evidente que cada caso deve ser discutido isoladamente. Um homem de 85 anos ou mais, que deseja continuar acompanhando seu PSA, deve fazê-lo, mas precisa ser informado das desvantagens que o exame pode trazer.

O PSA é um exame importante que reduz a mortalidade por câncer de próstata, mas sua repetição em intervalos anuais não beneficia todos os homens.

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