Perda da visão na velhice | Artigo

Perda da visão na velhice ocorre, na maior parte dos casos, por conta da degeneração da mácula, estrutura da retina responsável pela acuidade visual.

Luiz Fujita Jr é jornalista, editor do Portal Drauzio Varella e criador do podcast Entrementes, sobre saúde mental. @luizfujitajr

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Publicado em: 25 de abril de 2011

Revisado em: 11 de agosto de 2020

Perda da visão na velhice ocorre, na maior parte dos casos, por conta da degeneração da mácula, estrutura da retina responsável pela acuidade visual.

 

Depois dos cinquenta anos, a principal causa de perda da visão é a degeneração da mácula.

A mácula é uma pequena área localizada na porção central da retina, que contém a maior densidade de fotorreceptores. É responsável pela acuidade visual de alta resolução que nos possibilita enxergar os detalhes mais finos, ler textos e reconhecer faces.

Com a idade, na região da mácula, podem ocorrer depósitos de material constituído por restos celulares. Ao exame do fundo do olho, os oftalmologistas enxergam esses depósitos como lesões amareladas que acometem a mácula e a retina em volta dela.

Essa degeneração resulta de uma resposta inflamatória crônica disparada pelos restos celulares, que destrói os fotorreceptores, provoca atrofia e libera fatores que causam proliferação de vasos sanguíneos (fatores angiogênicos).

Os vasos assim formados causam pequenas hemorragias, extravasamento de líquido, deposição de gordura, descolamento do epitélio da retina e o aparecimento de cicatrizes, que comprometem a integridade da mácula.

 

Veja também: Degeneração da mácula relacionada à idade (DMRJ)

 

Nas fases mais precoces, a perda de visão costuma ser pouco perceptível. Quando ocorrem, os sintomas são: visão borrada, pontos luminosos, diminuição da sensibilidade aos contrastes de luz, dificuldade de adaptação ao escuro e necessidade de iluminação mais intensa para ler. A perda gradativa da visão pode evoluir de forma insidiosa no decorrer de meses ou anos, ou instalar-se
abruptamente em semanas ou dias como consequência de hemorragias locais e extravasamento de líquido dos vasos recém-formados.

Embora responsável por apenas 10% a 15% dos casos, a forma de instalação abrupta é a causa de 80% dos casos de perda grave ou total da visão.

A probabilidade de apresentar os primeiros sinais da doença na faixa dos 43 aos 54 anos de idade é de 8%. A prevalência sobe para 30% entre pessoas com mais de 75 anos.

A prevalência varia de acordo com a predisposição genética. Apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la: fumantes ativos e passivos, hipertensos, obesos e os que ingerem grandes quantidades de gorduras vegetais e dietas pobres em frutas, verduras e zinco.

O tratamento exige mudanças no estilo de vida. Fumantes apresentam o dobro de chance de desenvolver a doença; haver deixado de fumar há mais de vinte anos torna a incidência idêntica à dos que nunca fumaram.

É importante diminuir o consumo de gorduras, manter peso saudável, controlar a pressão arterial e adotar dietas ricas em frutas, folhas verdes, grãos integrais, peixes, nozes, castanhas e amêndoas.

Um dos métodos para combater a proliferação de vasos sanguíneos característica da degeneração macular é a terapia fotodinâmica, através da qual um corante sensível à luz (verteporfina) é injetado na veia. Como a verteporfina atinge maiores concentrações nos vasos recém-formados na região da mácula, a aplicação local de raios laser é capaz de destruí-los. Embora o tratamento fotodinâmico não melhore a acuidade visual, ele pode limitar a perda.

Nos últimos anos, a injeção intraocular de agentes que reduzem a proliferação de vasos sanguíneos (antiangiogênicos) teve grande impacto no tratamento.

Dispomos de dois medicamentos dotados dessa propriedade: ranibizumab e bavacizumab. Ambos podem ser aplicados em consultas ambulatoriais, com anestesia local, e parecem ser igualmente eficazes. A diferença de custos, no entanto, é altamente vantajosa para o uso de bevacizumab ( U$ 30 contra U$ 1.950).

A extração cirúrgica dos vasos sanguíneos acumulados na mácula é hoje empregada apenas em situações muito especiais. A implantação de dispositivos miniaturizados intraoculares para magnificação de imagens, bem como os ensaios clínicos em andamento com novos agentes antiangiogênicos, oferecem esperanças de chegarmos à velhice com a visão preservada.

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