Aumentam amputações causadas pelo diabetes; saiba prevenir

Nos últimos anos, o número de amputações causadas pelo diabetes aumentou, bem como a quantidade de diagnósticos da doença. Saiba prevenir.

Para quem tem diabetes, não é só a glicemia que precisa de atenção. Os pés também exigem cuidados.

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Publicado em: 30/09/2022

Revisado em: 30/09/2022

Para quem tem diabetes, não é só a glicemia que precisa de atenção. Os pés também exigem cuidados.

 

Nos últimos 10 anos, o número de pacientes com diabetes no Brasil aumentou cerca de 30%, de acordo com o Atlas do Diabetes de 2021. A explicação para esse aumento está nos hábitos de vida: o diabetes tipo 2, responsável por mais de 90% dos diagnósticos, tem uma ligação muito forte com o sobrepeso, o sedentarismo e a alimentação inadequada.

“Com uma dieta baseada em alimentos industrializados, lanches rápidos e bebidas açucaradas, vem uma segunda onda que é a do diabetes. E essa onda já chegou”, alerta o dr. André Vianna, endocrinologista especializado em diabetes.

Aparentemente, a terceira também: a onda das complicações causadas pela doença. Em 2022, mais da metade das amputações de pés e pernas no país aconteceram em decorrência do diabetes, juntamente com aquelas causadas pela pressão alta e pela insuficiência renal crônica. Segundo a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a média foi de três amputações a cada hora. 

O aumento dessas cirurgias, medida adotada em quadros já extremos, é resultado do chamado “pé diabético”.

 

O que é o pé diabético?

É uma consequência de duas doenças que o diabetes pode causar: 

  • Doença arterial periférica (DAP): é a obstrução dos vasos sanguíneos que irrigam as extremidades do corpo, como as pernas e os demais membros inferiores. “O diabetes descontrolado favorece que ela aconteça. O sangue não chega de maneira significativa a essas partes do corpo, ou os vasos entopem por completo e não chega nada de sangue”, explica o endocrinologista.
  • Neuropatia diabética: é o acometimento dos nervos que vão para os membros inferiores. A alteração provoca desde perda de sensibilidade (a pessoa se machuca sem perceber) até dores, desconfortos, formigamentos e outras sensações incômodas. A neuropatia também interfere na lubrificação da pele, tornando-a mais seca e sujeita a ferimentos.

“Em uma pessoa que já não sente direito o pé, a formação de feridas é mais comum. Soma-se ainda a falta de lubrificação adequada e o comprometimento da circulação sanguínea responsável pela cicatrização, e a pessoa fica mais sujeita a infecções que podem causar gangrena e até amputação”, ilustra o dr. André.

Tais complicações fazem com que, ainda, os músculos dos pés atrofiem, provocando uma mudança de formato. Os dedos encolhem, e a pisada muda. Assim, todo o peso do corpo fica apoiado em uma região que não está preparada para isso.

Veja também: Por Que Dói? #15 | Neuropatia diabética

 

Diabetes descontrolado e amputação

Atualmente, o Brasil é o sexto país com o maior número de diabéticos, e a previsão é que chegue a 643 milhões de pacientes em 2030. Entre as pessoas com diagnóstico, quase 70% não controlam a doença.

“A consequência é praticamente óbvia: a quantidade de complicações só aumenta. Elas estão muito mais relacionadas ao diabetes descontrolado do que ao tipo de diabetes. O problema está em não procurar tratamento e não manter os níveis de glicose dentro da faixa segura”, destaca o endocrinologista.

Ainda segundo a SBACV, em 2012, a média de amputações no Brasil era de 51 por dia. Em 2020, foram 75; em 2021, 79; e, em 2022, saltou para 82. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no início da pandemia, cerca de 70% de todas as operações no mundo foram realizadas por conta do pé diabético.

 

Como evitar complicações

Para quem tem diabetes, o dr. André Vianna ressalta alguns cuidados importantes a fim de evitar que o problema exija uma amputação:

  1. Controle o seu diabetes: fazer o acompanhamento médico, cuidar da alimentação, praticar atividades físicas e tomar as medicações recomendadas são medidas básicas para evitar as complicações da doença;
  2. Olhe diariamente para os pés: depois do banho ou na hora de calçar os sapatos, olhe em cima, embaixo e no meio dos dedos. Use um espelho para conseguir ver melhor. Se perceber qualquer tipo de lesão, ferida, bolha, calor, alteração de cor ou de temperatura no pé, procure o seu médico;
  3. Evite andar descalço: principalmente se já tiver alguma dessas condições, evite pisar descalço em superfícies quentes, como a areia. Isso evita o surgimento de queimaduras;
  4. Mantenha o pé hidratado: passe um hidratante rotineiramente para evitar rachaduras, as quais podem ser porta de entrada para infecções, mas evite a região entre os dedos ou ao redor da unha;
  5. Limpe bem os pés: de preferência, use água morna e seque com uma toalha macia, sem esfregar muito;
  6. Prefira um podólogo para cortar as unhas: o corte das unhas deve ser quadrado com as laterais levemente arredondadas. Caso queira ajuda de um profissional, o recomendado é procurar um podólogo em vez de pedicures;
  7. Avalie os calçados antes de comprar: o ideal é que sejam fechados, firmes e confortáveis. No caso dos saltos, devem ser quadrados e com no máximo 3 cm de altura. Se necessário, prefira sapatos terapêuticos aos convencionais.

Veja também: 5 dicas para cuidar do pé diabético

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