Como acabar de vez com o suor excessivo?

Saiba quais são os tratamentos disponíveis para o suor excessivo e veja o que fazer para amenizar os efeitos no dia a dia.

Além dos constrangimentos causados pela transpiração, há ainda o cheiro forte, que pode ser um incômodo. Saiba o que fazer para combater.

Compartilhar

Publicado em: 25/05/2022

Revisado em: 18/10/2023

Além dos constrangimentos causados pela transpiração, há ainda o cheiro forte, que pode ser um incômodo. Saiba o que fazer para combater.

 

O suor serve para regular a temperatura do corpo. Quando o tempo fica muito quente ou quando praticamos atividades físicas, a transpiração é uma forma de eliminar o calor, ajudando o organismo a voltar ao estado de equilíbrio. 

Mas, para algumas pessoas, ele deixa de ser apenas um mecanismo natural e se torna um problema. Quando em excesso, o suor gera desconforto e pode até levar ao isolamento social por conta da vergonha.

 

Sinais de que o suor é excessivo

Hiperidrose é o nome da condição em que as glândulas sudoríparas, responsáveis por produzir suor, atuam de forma mais ativa do que o normal. Pessoas com hiperidrose costumam suar bastante nas axilas, nas mãos e nos pés, mas podem transpirar também no rosto, no couro cabeludo, no pescoço, na virilha e em outras partes do corpo.

No dia a dia, os constrangimentos são muitos. “As camisetas ficam constantemente molhadas embaixo do braço, não importa a textura do tecido”, exemplifica a dra. Camila Lima, dermatologista no Acre e especialista em cabelo, pele e unhas.

Nas mãos, a dificuldade está em segurar a caneta na hora de escrever, já que o líquido chega a pingar entre os dedos. Nos pés, a mesma coisa: se cruzá-los descalços, é possível perceber o suor escorrendo. Andar de sandálias sem escorregar, por exemplo, pode ser uma tarefa complicada.

Veja também: Hiperidrose (suor excessivo) | Entrevista

 

De onde vem tanto suor?

“Geralmente, a hiperidrose começa a se manifestar na puberdade, que é quando o organismo começa a produzir mais testosterona”, explica a especialista. A testosterona é um hormônio responsável por diversas alterações no corpo masculino e pelo bom funcionamento do processo reprodutivo feminino.

De forma geral, a hiperidrose é dividida em dois tipos: 

  • Primária: Tem origem genética e é influenciada por fatores emocionais, como situações de estresse ou medo. “Quando a pessoa fica nervosa, ela produz suor. No caso desses pacientes, a transpiração excessiva os deixa ansiosos, e por isso acabam suando ainda mais”, comenta a dra. Camila. O suor é localizado (pés, mãos), e os sintomas só desaparecem ao dormir.
  • Secundária: É adquirida ao longo da vida, por conta de distúrbios hormonais, doenças neurológicas ou efeitos colaterais de medicamentos. Esse tipo de hiperidrose afeta áreas incomuns ou o corpo todo, e não para durante o sono.

No dia a dia, a alimentação também influencia. Itens apimentados, por exemplo, aumentam a sudorese. Carne vermelha e alimentos inflamatórios, como o açúcar, interferem ainda no odor do suor.

 

O “cecê”

As regiões atingidas pelo suor excessivo tendem a ficar vermelhas e inflamadas. Isso acontece porque as bactérias que vivem na pele fazem a decomposição do suor, o que pode provocar um odor desagradável. É a bromidrose, ou o popular “cecê”.

Pessoas que sofrem com o excesso de suor de cheiro forte costumam ficar muito preocupadas com o problema e acabam se retraindo em ambientes sociais. Por outro lado, como vimos, a ansiedade leva à produção de mais suor, gerando um círculo vicioso.

No entanto, a dermatologista tranquiliza: tanto para a hiperidrose quanto para a bromidrose, existe solução.

Veja também: 5 motivos para não deixar de tomar água

 

Tratamentos

Para combater a produção exagerada de suor, bem como o seu odor desgradável, há os seguintes tratamentos:

 

Desodorantes antitranspirantes

“Primeiro, a gente tenta diminuir a produção de suor com líquidos à base de alumínio”, afirma a dra. Camila. Desodorantes que contêm hidróxido de alumínio em sua composição são responsáveis por formar uma camada na superfície da pele que impede a liberação excessiva de suor. O recomendável é passar na região mais afetada à noite para que ela faça efeito no dia seguinte.

É importante destacar, porém, que nem todo desodorante é antitranspirante. O desodorante comum busca diminuir o cheiro, mas não impede a saída do suor. Já o antitranspirante, feito à base de alumínio, atua diretamente no problema, contendo pelo menos 20% da transpiração, e também contribui para a diminuição do odor. Ambos, no entanto, são temporários e devem ser reaplicados constantemente.

Quanto ao seu uso, lembre-se de:

  • Agitar bem antes de aplicar;
  • Passar sempre quando o corpo estiver seco;
  • Esperar o produto secar antes de se vestir;
  • Reaplicar em situações de nervosismo ou estresse.

 

Iontoforese

Essa é uma técnica que aplica agentes ionizantes na pele afetada através da corrente elétrica. Quando absorvidos, os íons diminuem gradativamente a transpiração no local. 

As sessões costumam durar de 10 a 15 minutos e são feitas de 2 a 3 vezes por semana, depois passando para uma frequência quinzenal ou mensal. Não é, porém, um tratamento definitivo.

 

Medicamentos

O glicopirrolato e a oxibutinina, dois medicamentos anticolinérgicos, são os mais utilizados contra a hiperidrose. Eles se tornam uma opção quando as demais alternativas não dão certo. “O problema desse tratamento é que ele só funciona enquanto for usado. Se parar de tomar o remédio, a condição volta”, alerta a dra. Camila.

Veja também: Por que tomar medicamentos por conta própria é perigoso? | Coluna #82

 

Toxina botulínica (botox)

Outra linha terapêutica é a que utiliza o botox para paralisar as glândulas sudoríparas. Depois do tratamento, a pessoa deixa de produzir suor naquela região por seis a oito meses.

 

Laser

O procedimento utiliza a energia luminosa para reduzir o tamanho das glândulas sudoríparas. Como consequência, há uma diminuição na sudorese.

 

Cirurgia

Como última alternativa, existe uma cirurgia chamada simpatectomia. Ela consiste no corte do nervo que estimula as glândulas que produzem o suor, eliminando de vez o problema. 

“Só que, como o nome já diz, é compensatório. O corpo vai procurar outras formas de regular a temperatura corporal, e é provável que a pessoa comece a transpirar em locais onde não transpirava antes”, ressalta a dra. Camila.

 

Dicas práticas

Além de procurar a ajuda de um dermatologista e seguir adequadamente o tratamento indicado, aqui vão algumas dicas para ajudar a amenizar os efeitos da transpiração excessiva no dia a dia:

  • Utilize palmilhas nos sapatos ou discos absorventes nas axilas;
  • Evite o consumo de alimentos termogênicos, como pimenta, feijoada, churrasco, café, chá e refrigerante;
  • Prefira roupas mais arejadas em vez de tecidos supersintéticos, impermeáveis ou com plásticos, como poliéster e náilon;
  • Em dias quentes, dê preferência a cores mais claras, que esquentam menos;
  • Seque-se bem após o banho;
  • Mantenha-se hidratado, pois isso ajuda a manter a temperatura do corpo equilibrada;
  • Depile ou higienize bem as axilas para evitar a retenção de umidade;
  • Troque de roupas todos os dias;
  • Dê preferência aos sabonetes antissépticos;
  • Deixe os sapatos em um lugar bem ventilado quando não estiver usando. 

Se for o caso, busque ainda a orientação de um psicólogo e/ou nutricionista.

Veja também: DrauzioCast #61 | Hiperidrose

Veja mais

Sair da versão mobile