Teratoma: conheça os curiosos tumores que têm dentes e até cabelos

Os tumores, comuns em ovários e testículos, contém células responsáveis pelo surgimento de dentes, pelos, etc. Saiba mais sobre o teratoma.


Equipe do Portal Drauzio Varella postou em Câncer

O teratoma, que pode ser maligno ou benigno, geralmente ocorre nos ovários, mas também aparece em testículos.

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Publicado em: 18/10/2022

Revisado em: 18/12/2022

O teratoma, tumor que pode ser maligno ou benigno, geralmente ocorre nos ovários, mas também aparece em testículos.

 

O teratoma é um tumor de origem embrionária formado por vários tipos celulares. Normalmente aparece nos ovários, embora também seja possível encontrá-lo nos testículos ou ainda em crianças. 

A médica ginecologista Adélia Peruzzo explica que os teratomas são cistos formados de combinações dos três folhetos embrionários, ou seja, as camadas de células que dão origem aos órgãos e tecidos dos seres vivos (ectoderme, mesoderma e endoderme). “Por causa dessa variada formação, os cistos podem ter pelos, gordura, cartilagem, dentes, unhas, cabelo, entre outros achados”, afirma. Precisamente por assumir características humanas incomuns, o tumor foi definido como um ‘monstro’, do grego téras.

Logo, a aparência desses tumores faz com que muitas pessoas se assustem ao ver fotos. Para explicar melhor, vamos apresentar os tipos existentes.

Tipos de teratoma

Os teratomas são geralmente descritos como maduros ou imaturos.

Os maduros normalmente são benignos (não cancerosos). Mas eles podem voltar a crescer após serem removidos cirurgicamente. Ainda conforme a ginecologista, “a forma mais comum é o teratoma maduro, que representa de 10% a 15% de todos os tumores ovarianos”.

Eles podem ser classificados como: 

  • cístico: encerrado em seu saco contendo fluidos;
  • sólido: composto de tecido, mas não fechado;
  • misto: contendo partes sólidas e císticas.

Já os imaturos são mais propensos a evoluir para um tumor maligno.

 

Causas e sintomas

As causas do desenvolvimento dessa neoplasia ainda não são totalmente conhecidas, mas acredita-se que os teratomas se formem a partir do desenvolvimento autônomo de células embrionárias que se tornam independentes do restante do organismo já nos estágios iniciais do desenvolvimento embrionário.

Segundo a ginecologista, “a faixa etária de maior incidência concentra-se na menacme (como chamamos o período de idade reprodutiva da mulher), com pico maior em torno dos 30 anos”.

Os teratomas estão presentes desde o nascimento ou ocorrem no período imediatamente seguinte, na forma de tumores sólidos ou císticos, de crescimento lento, mas progressivo. Raramente incluem estruturas complexas como olhos, mãos, pés ou outros membros e órgãos.

Eles também nem sempre apresentam sintomas no início. Por isso, conforme se desenvolvem, podem ser diferentes dependendo de onde estão localizados. “Quando sintomáticos, causam dor, massa ou aumento do volume abdominal e sangramento uterino anormal”, explica a médica.

Outros sinais comuns incluem:

  • inchaço e sangramento;
  • náusea;
  • perda de peso;
  • níveis levemente elevados de alfa feto proteína (AFP), um marcador para câncer;
  • níveis hormonais de gonadotrofina coriônica humana (BhCG) levemente elevados.

Porém, os teratomas ovarianos são os mais conhecidos. Geralmente têm a aparência de um cisto, embora a diferenciação dos tecidos que se desenvolvem possa dar origem, dentro do cisto, ao desenvolvimento de uma pele completa, com pelos e glândulas sebáceas.

Tratamento do teratoma

Na maioria dos casos o teratoma é benigno e de crescimento lento, com bom prognóstico após muitos anos. Raramente sofre qualquer transformação maligna.

Em qualquer caso, o caráter benigno ou maligno é avaliado apenas através do exame histológico realizado no tumor removido com cirurgia. Caso o teratoma seja maligno, também há necessidade de quimioterapia.

Nos teratomas maduros, a técnica menos invasiva utilizada para remover o tumor é a laparoscopia (procedimento cirúrgico minimamente invasivo no qual são feitas pequenas incisões na região abdominal para introdução do laparoscópio). No entanto, em casos de teratomas imaturos, a laparotomia (técnica cirúrgica invasiva que envolve uma incisão no abdômen para acessar órgãos internos) também pode ser utilizada.

 

Complicações do teratoma

Entre as complicações causadas pela presença de um teratoma no ovário estão:

  • Ruptura do tumor ou cisto causando inflamação crônica, infecção, aderências e compressão dos órgãos justapostos.
  • Nos teratomas malignos, sua disseminação pelo organismo pode complicar sua remoção e prognóstico.

E ainda há o risco de torção de um teratoma, como reforça a médica: “A torção é a complicação mais frequente e incide em 3,5% dos casos. Isso ocorre em virtude do elevado conteúdo gorduroso que possibilita a flutuação na cavidade abdominal e pélvica. A paciente irá apresentar dor abdominal intensa”.

De qualquer forma, é recomendável seguir as instruções de médicos especialistas, como ginecologistas e oncologistas, para que os sintomas não causem problemas mais sérios.

 

É preciso ficar atenta

Por conta das questões abordadas, devemos ressaltar a importância de mulheres de diferentes idades, mas principalmente em idade reprodutiva, se consultarem  uma vez por ano com o ginecologista para detectar qualquer patologia que possa afetar sua fertilidade futura e/ou levar ao câncer ou neoplasia. 

Se você sentir dor ou peso na região pélvica ou abdominal durante a relação sexual, edema (inchaço), náusea, micção frequente, dificuldade ou vontade súbita de evacuar, consulte um especialista. Você sempre pode evitar um tratamento mais invasivo caso procure ajuda com antecedência. 

 

Sobre a autora: Angélica Weise é jornalista e colabora com o Portal Drauzio Varella. Tem interesse por assuntos relacionados à saúde mental, atividade física e saúde da mulher e criança.

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