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Envelhecer bem

Quando o corpo começa a demonstrar sinais de envelhecimento? 

Mudanças na aparência, alterações no metabolismo e enfraquecimento do sistema imunológico são alguns dos aspectos que mostram que estamos envelhecendo. Entenda.
Publicado em 28/03/2025
Revisado em 28/03/2025

Mudanças na aparência, alterações no metabolismo e enfraquecimento do sistema imunológico são alguns dos aspectos que mostram que estamos envelhecendo. Entenda.

O envelhecimento é o caminho natural da vida. Estamos ficando mais velhos, todos os dias, desde o momento em que nascemos. Porém, enquanto somos crianças e adolescentes, é como se estivéssemos caminhando para o “auge da juventude”. E então, em determinado momento da fase adulta, o corpo começa a demonstrar sinais de que está, de fato, envelhecendo. 

Como a expectativa de vida hoje é muito mais alta do que algumas poucas décadas atrás, é esperado que passemos muitos anos envelhecendo e, mais do que isso, que tenhamos mais tempo de vida sendo idosos do que crianças – já que a infância dura apenas 12 anos. 

O dr. Drauzio Varella costuma falar de forma bem humorada sobre envelhecimento. Quando ele nasceu, na década de 1940, a expectativa de vida no Brasil era de apenas 45 anos. “Hoje, quando morre um tio com 70 anos, dizemos que morreu moço. Há pouco tempo, quem atingisse essa idade era considerado muito velho”, escreveu no artigo Além do esquecimento

Atualmente, a expectativa de vida no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 76,4 anos. 

Hoje, pessoas idosas (acima dos 60 anos) podem ter uma perspectiva de vários anos pela frente. Com saúde, podem ter uma vida ativa, praticar esportes, sair com os amigos. É o caso do próprio Drauzio que, aos 81 anos, tem uma agenda cheia, escreve livros e ainda corre maratonas.

Quando o corpo começa a envelhecer? 

“O processo de envelhecimento começa cedo, por volta dos 25 a 30 anos, mas é um fenômeno gradual. A partir dessa idade, o corpo inicia uma perda progressiva da capacidade de regeneração celular, o que afeta diversos sistemas do organismo. No entanto, como essa perda é lenta e compensada por mecanismos de adaptação, os sinais mais evidentes costumam aparecer apenas décadas depois”, explica o dr. Leonardo Oliva, geriatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Porém, ele destaca que o envelhecimento é um fenômeno individual, ou seja, indivíduos tendem a envelhecer de maneira singular, principalmente devido às diferenças nos hábitos e escolhas de vida, ambiente e genética.

Você já ouviu alguém dizer que depois dos 30, a ressaca é diferente? Que emagrecer fica mais difícil? Ou até que sofreu para se recuperar de uma infecção ou virose que, na altura dos 20 anos, parecia ser “moleza”? Afinal, será que os 30 anos realmente marcam esse declínio na nossa saúde de maneira geral? 

O especialista afirma que sim, há uma base fisiológica para essas percepções. “Com o tempo, o metabolismo desacelera, o que pode dificultar a queima de calorias e a perda de peso. Além disso, o fígado metaboliza o álcool de forma menos eficiente, tornando os efeitos da ressaca mais intensos. O sistema imunológico também passa por mudanças graduais, o que pode tornar a recuperação de infecções um pouco mais demorada.”

Veja também: Respondendo as perguntas mais populares do Google sobre ressaca

Primeiros sinais do envelhecimento

Os sinais do envelhecimento são muitos e vão surgindo aos poucos, com o passar do tempo. Conforme envelhecemos, são esperadas alterações na pele, no cabelo, no metabolismo, entre outros. Veja algumas das principais mudanças: 

  • Na aparência: 

Segundo o médico, os primeiros sinais visíveis incluem mudanças na pele, como a perda de elasticidade e o surgimento de rugas finas, especialmente ao redor dos olhos e da boca. O cabelo pode começar a ficar mais fino e apresentar fios brancos. 

“Há uma tendência à redução de massa magra e aumento da gordura corporal. Em relação à postura, algumas pessoas percebem uma leve perda de flexibilidade e mobilidade ou pequenas alterações na força muscular, especialmente se não praticam atividade física regularmente. Existe ainda a tendência de perda de 1 a 2 cm de altura a cada dez anos vividos, a partir dos 40 anos.”

  • No sistema imunológico: 

O sistema imunológico se torna menos eficiente com o passar dos anos, um fenômeno chamado de imunossenescência. 

“Isso pode levar a maior suscetibilidade a infecções e resposta mais lenta às vacinas. Embora essa mudança comece ainda na fase adulta, seus efeitos mais perceptíveis tendem a aparecer a partir dos 50 ou 60 anos”, explica o dr. Leonardo. 

  • No metabolismo:

O metabolismo desacelera com o tempo, o que significa que o corpo gasta menos energia em repouso. Assim, há maior tendência ao ganho de peso e aumento de gordura corporal. 

“Além disso, há uma perda progressiva de massa muscular – chamada sarcopenia – que se acentua a partir dos 40 a 50 anos, podendo ser agravada pela falta de atividade física e alimentação inadequada. Essa perda muscular é um dos fatores que contribuem para a redução da força e do equilíbrio em idosos, está associado à redução da qualidade de vida e da sobrevida global”, afirma. 

Também há aumento da rigidez muscular e alterações na arquitetura do sono. 

  • Nos hormônios:

Com o envelhecimento, há ainda redução gradual de hormônios, como estrogênio nas mulheres e testosterona nos homens. No caso delas, normalmente entre 45 e 55 anos, acontece a menopausa, que marca o fim da vida reprodutiva. O período de transição para essa fase, chamado de climatério, pode durar anos e provocar sintomas como ondas de calor, irritabilidade, fadiga, problemas para dormir, entre outros. 

Como envelhecer de forma saudável

Não há como evitar o envelhecimento, mas existem maneiras diferentes de passar por esse processo. “O envelhecimento é um processo natural e inevitável, portanto, o foco deve ser buscar um envelhecimento bem-sucedido, em que se consegue manter a autonomia e independência pelo maior tempo possível”, orienta o dr. Leonardo. 

Nesse contexto, manter uma rotina de hábitos saudáveis faz toda a diferença para envelhecer com saúde e qualidade de vida. Esses hábitos incluem: 

  • Manter uma alimentação saudável e equilibrada, com atenção especial ao consumo diário de proteínas;  
  • Praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios de resistência, exercícios aeróbicos, alongamentos, treinos de flexibilidade e equilíbrio; 
  • Não fumar; 
  • Reduzir o consumo de álcool (ou mesmo não consumir);
  • Ter um sono de qualidade;
  • Controlar o estresse;
  • Manter um bom relacionamento social e familiar;
  • Realizar acompanhamento médico regular e tratar doenças que porventura apareçam;
  • Manter o calendário de vacinas sempre atualizado. 

Também é importante pensar em hábitos para evitar o declínio cognitivo que se acentua com a idade. Além de fatores como exercícios físicos, sono de qualidade e convívio social – que são essenciais para a saúde física e mental –, a principal dica para manter o cérebro saudável e prevenir demências é manter-se ativo intelectualmente, o que pode ser feito através de leituras, cursos, estudo de idiomas, jogos, atividades manuais, entre outros. 

Se os bons hábitos contribuem para uma vida mais longeva e saudável, é claro que os hábitos ruins apontam para o sentido contrário. “Tabagismo, sedentarismo, alimentação rica em ultraprocessados, consumo excessivo de álcool, privação de sono e estresse crônico estão entre os principais fatores que aceleram o envelhecimento. Além disso, a falta de seguimento médico e o tratamento inadequado das doenças crônicas aceleram o processo de envelhecimento do corpo”, finaliza o médico. 

Conteúdo produzido em parceria com RD Saúde.

Veja também: Como o cérebro envelhece?

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