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Como lidar com a flexibilização na pandemia | Entrementes



Você sente raiva de quem está levando a vida normal na pandemia? Dr. Jairo Bouer fala sobre como lidar com seus sentimentos em meio à flexibilização.

 

 

Olá pessoal, e no Entrementes deste mês a gente discute como anda nossa saúde mental, nossa saúde emocional, 7, 8 meses depois do início da pandemia do novo coronavírus e do distanciamento social.

E hoje, eu queria discutir com vocês o seguinte: como será que a gente se sente diante dessa flexibilização que está acontecendo e que tem revelado pra gente comportamentos muito distintos das pessoas. Eu vejo muita gente reclamando do seguinte. “Jairo, eu tô me cuidando, eu mal saio de casa, eu evito encontrar meus familiares, meus amigos, eu tô me privando de uma série de coisas que são centrais, são fundamentais na minha vida, mas eu olho e do outro lado da janela as pessoas estão saindo por aí e vivendo como se nada estivesse acontecendo. Tem gente que decretou uma espécie de final da pandemia por conta própria e tá tocando a vida livremente”.

E aí, essas pessoas que estão se cuidando muitas vezes ficam frustradas, ficam chateadas, se sentem injustiçadas diante desse cenário, afinal de contas elas estão se cuidando, elas estão tentando proteger a saúde dos seus familiares, dos seus amigos e contribuindo pra saúde coletiva. Enquanto tem um monte de gente que sai pelas ruas, não obedece as regras de distanciamento social, não usa a máscara com frequência, se aglomera em espaços públicos, e isso é realmente um contraste muito importante. E quem tá fazendo isso muitas vezes acha que as pessoas que estão usando máscara, ou que não saem de casa, ou que estão se cuidando, que essas pessoas estão exagerando, que essas pessoas estão paranoicas, que essas pessoas estão deixando de viver, estão assustadas, estão amedrontadas.

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Então, existe um choque de visões e de opiniões em relação a isso, e pra quem tá se cuidando, isso é altamente frustrante. Se você tá em casa, tá assistindo esse vídeo, tá pensando um pouco em todas essas questões, eu tenho certeza que você tem amigos e amigas que se comportam de formas distintas, até mesmo familiares que se comportam de formas distintas.

Eu continuo a enfatizar a importância dos cuidados nesse momento, a gente tem assistido aí na Europa, nos Estados Unidos, nas últimas semanas, uma espécie de segunda onda, um aumento muito importante do número de casos, de casos novos e de mortes por conta do novo coronavírus. Aqui no Brasil já em algumas regiões, já em algumas cidades, a gente assiste aí também nas últimas semanas um aumento importante das mortes e do número de casos. São cidades ou regiões que já tinham conseguido controlar melhor, estavam com os hospitais e as UTIs mais vazias, e que agora de repente estão enfrentando um boom, um aumento do número de casos e muitas vezes do número de casos graves.

Então, isso mostra pra gente que a situação está longe de ser resolvida, a gente não tem uma vacina imediatamente à disposição de todo mundo, então a gente precisa sim continuar a se cuidar. “Ah, mas e as pessoas que saem por aí loucamente e não se cuidam?”. Eu acho que você tem que fazer teu papel, e eu acho que as pessoas que estão em volta também tem que fazer o seu papel, e é importante que você dialogue, que você converse com essas pessoas sobre isso. Eu evitaria aglomerações, eu evitaria frequentar lugar em que as pessoas não estão usando máscara, eu estaria atento aos números da sua região, e eu defenderia sim que nesse momento é importante que as pessoas mantenham os cuidados.

“Ah, mas eu fico triste, eu fico frustrado, eu fico insatisfeito, eu fico com raiva às vezes de que eu tô me cuidando, de que eu tô me privando de um monte de coisas, enquanto as outras pessoas não estão nem aí”. Pois é. A gente tem que aprender a lidar com essa frustração da gente, com esse sentimento de raiva, de angústia, mas a gente tem que seguir em frente.

A gente tá – isso eu costumo dizer – diante aí de um processo longo, é um túnel comprido, mais comprimido do que a gente tinha imaginado inicialmente, e não adianta a gente ficar só focando na luz que eventualmente vai estar no fim do túnel. Acho que a gente tem que tentar viver melhor no dia a dia da gente, e desviando dos problemas, desviando de chateações, de frustrações, e tentando ficar melhor pra passar por essa fase de uma maneira um pouco mais tranquila, um pouco menos sofrida, um pouco menos dolorosa.

Espero que vocês tenham de alguma forma refletido comigo nessas últimas semanas sobre o nosso estado emocional nesse momento, e de novo reforçar: calma, paciência, tranquilidade, vai passar, mas ainda vai demorar um pouco. É isso aí.

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