Dr. Drauzio sempre destaca a importância de uma alimentação equilibrada. Neste programa, Drauzio entrevista Rita Lobo sobre culinária e a importância de ser consciente quanto ao que consumimos.

Rita Lobo, criadora do site de culinária Panelinha, conta como mudou da carreira de modelo para a de chef, explica por que considera libertador saber cozinhar e comenta sobre a necessidade de restringirmos o consumo de alimentos multiprocessados.

Cozinhar é libertador

Eu acho que cozinhar é libertador. Primeiro porque você não depende da indústria alimentícia, não precisa comer lasanha congelada porque não sabe cozinhar, quando você sabe cozinhar você sabe que não precisa usar tempero pronto, que não só é péssimo pra saúde como destrói seu paladar. É libertador porque você não depende de ninguém, você chega em casa e faz o seu jantar. Porque cozinhar é uma maneira não só de alimentar o seu corpo mas também as relações: faça a experiência, o que é cozinhar para sua família e depois jantar e o que é colocar uma lasanha congelada no microondas e depois deixar cada um comer onde quiser.

Interesse pela culinária

(…) Esse processo de aprender a cozinhar, de transformar os alimentos em alguma coisa saborosa era tão maravilhoso pra mim que eu só tive esse assunto. Então teve essa coisa desde sempre, de eu querer contar para as pessoas: dá pra cozinhar, mais do que isso, é maravilhoso, e dá pra aprender; se eu consegui, você consegue também.

Classe média e a cozinha

A alimentação mais saudável é mais cara do que a alimentação cheia de carboidratos e gorduras. Eu ando muito pelo centro de São Paulo, e eles vendem aquele churrasco grego que o cara corta aquilo, que vem pingando gordura, com um pãozinho que fica enorme, e um suco por R$2,00. Você não consegue cozinhar por dois reais pra ninguém. (…) Acho que tem essa implicação econômica….
Tem muitas implicações! Tem um lado de que pra uma população mais carente tem a questão do status, uma população que não podia comprar o “xizitos” pro filho passa a poder comprar: é chic, não podia comprar refrigerante, passa: é bacana. Tem muitas coisas que entram nessa conversa. Mas quando se fala para um público que consegue tirar férias, consegue baixar, tem informação, tem acesso, não tem tempo para cozinhar mas tem para ficar três, quatro horas por dia na frente da televisão. Quer dizer, não é bem o tempo, são as prioridades. É o que é prioridade pra cada um. Não estou falando pra população carente, mas para classe média, é uma escolha, cozinhar ou não.

Restrições “da moda”


E como você vê essas modas que aparecem e se espalham com velocidade absurda?

Eu, pessoalmente, eu não gosto dessas coisas de exclusão de grupos alimentares, acho que não funciona. Mas não sou médica, lembro dessa onda de pessoas que pararam de comer glúten, ou pararam de comer carboidratos e só comiam gorduras. No fundo, acho que as pessoas estão cada vez mais delegando, querem que alguém resolva por elas, tudo, e com dieta é um pouco disso. alguém vai me dizer o que eu posso e não posso comer. Eu acho um pecado, com tanta coisa boa pra comer, então eu sou daquela linha de comer um pouco de tudo – mas um pouco!

Experiência de um restaurante


Você teve um restaurante em SP, né? Como foi essa experiência?
Ai, foi terrível (rs). Brincadeira…
Nós ficamos com um restaurante 3 anos, foi muito bem. Depois disso, eu comecei o Panelinha, que foi melhor ainda…. Vida de restaurante, eu não gosto. Esse negócio de ficar falando na mesa, eu não tenho talento pra isso. Eu sei fazer aquilo “eu acho que você vai conseguir aprender a cozinhar”. Eu costumo ser boa nisso, não tenho um número certo mas te digo que milhares de pessoas já conseguiram cozinhar com o Panelinha.

Ideias para cada livro


Como você faz para escrever seus livros? Você parte de que ponto?

Bom, cada um tem uma história, né.
O Panelinha, que eu lancei em 2010, eu lancei para comemorar os 10 anos do site e esse livro contava um pouco do que a gente fez nesses dez anos, quais as receitas, eu vi ali o que eu achava que seria o jeito mais legal de comer, partindo do princípio do arroz e feijão que é a base da nossa alimentação. Durante esse processo eu pensei que tem um paralelo entre as receitas que você pode fazer para começar a refeição e para começar a cozinhar. Não tem nada mais fácil de fazer do que sopa, é muito difícil dar errado.

Culinária estrangeira


Qual tua experiência internacional, no meio dessas viagens todas? O que você aprendeu com essa variedade culinária?

Eu sempre acho que tem uma coisa francesa fantástica que é o orgulho das próprias tradições, acho que foi muito marcante observar. No Japão, esse cuidado com a apresentação, mais minimalista, e essa ‘coisa’ do ofício. O meu paladar, isso eu quase não levo pro meu trabalho, eu gosto de sabores étnicos, de combinações que eu não tinha pensado antes. Então, a primeira vez que fui ao Marrocos e é uma comida que mistura, na comida salgada, a canela, eu fiquei fascinada.

 

Assista à entrevista completa, realizada em abril de 2015.

 

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