A clamídia é uma infecção sexualmente transmissível (IST) bastante comum que pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres. Em geral assintomática, é causada pela bactéria Chlamydia trachomatis. Quando detectada, é facilmente tratada e curada com antibióticos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que haja 128 milhões de casos novos anuais em pessoas de 15 a 49 anos no mundo, com prevalência de 4% da população feminina e 2,5% da masculina em 2020. No Brasil, como a infecção não é de notificação obrigatória, o número de casos exato não é conhecido.
Veja também: Tratamento das infecções sexualmente transmissíveis bacterianas
Quando diagnosticada e tratada precocemente, a clamídia não costuma causar problemas de saúde graves. No entanto, sem tratamento, pode provocar complicações sérias e facilitar a transmissão e aquisição do HIV e de outras ISTs, doença inflamatória pélvica (DIP) e aumento do risco de infertilidade e gravidez ectópica(gravidez que ocorre fora do útero). Em mulheres grávidas, pode causar parto prematuro ou baixo peso ao nascer.
Transmissão da clamídia
A clamídia é transmitida por meio do contato sexual (anal, oral ou vaginal) ou pela forma congênita (infecção passada da mãe para o bebê durante a gestação).
A bactéria também pode ser passada para o bebê pelo canal vaginal, durante o parto.
Sinais e sintomas da clamídia
Muitos casos são assintomáticos na fase inicial. Quando surgem, os sintomas podem ser:
- ardência ao urinar;
- secreção no pênis ou na vagina;
- sangramento entre os períodos menstruais ou após a relação sexual;
- em mulheres, dor ou desconforto na parte inferior do abdômem;
- em homens, dor nos testículos.
A infecção também pode atingir o ânus, causando secreção anal, dor e sangramento. Quando atinge a cavidade oral costuma ser assintomática.
Bebês nascidos de mães com clamídia podem apresentar infecções oculares ou pneumonia. Essas infecções podem ser tratadas com antibióticos para recém-nascidos.
IST que pode provocar complicações sérias
A clamídia, quando não tratada, pode causar complicações graves, em especial em mulheres. Elas podem apresentar doença inflamatória pélvica, dor abdominal e pélvica e, em estágios mais avançados, desenvolver infertilidade e gravidez ectópica .
Nos homens, as complicações podem ser uma infecção dolorosa no epidídimo (epididimite) ou nos testículos. (epidídimo-orquite). Em casos raros, pode levar à infertilidade.
Além disso, a clamídia pode causar sintomas de artrite reativa, como inchaço nas articulações e inflamação nos olhos.
A infecção neonatal pode causar conjuntivite (infecção ocular) e pneumonia. Também pode provocar partos prematuros e baixo peso ao nascer.
Determinadas cepas da clamídia podem causar o linfogranuloma venéreo (LGV), popularmente chamado de “mula”, que provoca inflamação grave e úlceras genitais, aumento dos gânglios linfáticos ou inflamação da região anorretal com secreção, cólicas abdominais, diarreia, prisão de ventre, febre ou dor ao evacuar.
Diagnóstico e tratamento
A clamídia é detectada por exames de biologia molecular como o PCR, feito em amostras coletadas da vagina, pênis, uretra e ânus.
O tratamento da clamídia é feito com o uso de antibióticos, como por exemplo azitromicina ou doxiciclina, receitados pelo médico conforme cada caso. Com o tratamento adequado é possível erradicar completamente a bactéria.
Mulheres grávidas precisam avaliar com o médico qual o antibiótico mais adequado.
Sexo sem proteção
Qualquer pessoa que mantenha relações sexuais sem proteção está em risco de contrair ISTs, incluindo a clamídia. Por isso, o uso de preservativos masculinos e femininos é indicado como forma de prevenção da maioria das ISTs, principalmente se você tiver vários parceiros ou parceiras.
Hoje o SUS já disponibiliza o uso do antibiótico doxiciclina como profilaxia pós-exposição (PEP), ou seja, para ser tomado após uma relação sexual considerada de risco, como uma espécie de “pílula do dia seguinte”. O tratamento, que também protege contra a sífilis , consiste no uso de dois comprimidos de doxiciclina 100 mg em até 72 horas após a relação sexual desprotegida
É importante ressaltar que mesmo quem faz uso de outras estratégias de prevenção de ISTs deve utilizar preservativo para evitar clamídia e outras infecções sexualmente transmissíveis.
*Com informações da OMS, CDC e Ministério da Saúde




