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Saúde pública

VSR: nova vacina para gestantes disponível no calendário do SUS

A vacina contra o VSR poderá ser aplicada de forma gratuita nas gestantes a partir da 28° semana de gravidez. O objetivo é que os bebês já nasçam com anticorpos. Saiba mais

Em janeiro deste ano, a Comissão de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a inclusão da vacina Abrysvo no SUS, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Até então, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) estava disponível apenas em clínicas privadas.

Agora em dezembro, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição das primeiras doses do imunizante para todos os estados do Brasil, além do Distrito Federal. A partir do recebimento, a disponibilização nos postos de saúde será imediata. 

A vacina, aplicada nas gestantes, tem o seguinte objetivo: vacinar as grávidas para que os bebês sejam imunizados ainda na barriga. É o que explica a seguir o dr. Renato Kfouri, pediatra infectologista, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

“A ideia é que ela seja a fábrica de anticorpos para o seu bebê e transfira-os pela placenta, de forma que o neném nasça com esses anticorpos passivamente adquiridos. Eles terão uma vida média curta e depois de alguns meses, irão embora, mas justamente nos meses de maior vulnerabilidade de vida, que é o primeiro semestre, ele estará protegido.”  

Por que era tão difícil desenvolver uma vacina contra o VSR?

Não é de hoje que pesquisadores estão debruçados sobre esse imunizante.

“Há muito tempo que se busca uma vacina contra o VSR, mas a grande dificuldade foi encontrar um pedaço do vírus nas partículas virais, de forma resumida. Ou seja, captar uma estrutura do vírus que seja responsável por desencadear uma resposta imune, uma produção de anticorpos que seja suficientemente boa para neutralizar a sua ação”, esclarece o dr. Kfouri. 

A vacina contra o VSR para gestantes é composta de vírus inativado, ou seja, não causa a doença após a aplicação, apenas estimula seu sistema imunológico a produzir anticorpos. 

“Estudos apontaram que o melhor momento para a aplicação da vacina em gestantes foi entre a 32ª e 36ª semana de gestação, ou seja, melhores respostas em períodos mais próximos do parto. Mas esses mesmos estudos permitiram verificar que há benefícios a partir da 24ª semana de gestação”, pontua a dra. Emy Akiyama Gouveia, infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

O imunizante, que é recombinante contra os tipos A e B, será administrado por via intramuscular (injeção dentro de um músculo, geralmente aplicado nos braços, coxas ou glúteos), de acordo com o período de maior circulação do vírus, que no Brasil varia de fevereiro a agosto, dependendo da região.

“No caso de bebês prematuros, que ainda não houve tempo suficiente dessa transferência dos anticorpos, ou aqueles que têm algum fator de risco mais grave, como malformação, imunodeficiência, síndrome de Down, doença cardíaca congênita, entre outros, é preciso usar a estratégia combinada de oferecer também ao bebê um anticorpo pronto. Isso vale para as mães que são imunossuprimidas, que vivem com HIV, ou que apresentam outro risco de não passar bons anticorpos”, explica dr. Kfouri. 

Por que aplicar a vacina é tão importante?

De acordo com dados noticiados pelo Portal Drauzio, estima-se que 100% das crianças serão infectadas pelo VSR até os 2 anos, sendo este o vírus responsável por até 90% das bronquiolites infantis e 40% das pneumonias pediátricas. No Brasil, a taxa de hospitalização por infecção em crianças menores de 2 anos aumentou progressivamente 33% entre 2013 e 2022.

“O Brasil possui um dos melhores programas de imunizações do mundo. É gratuito, universal ou seja abrange todas as idades, realiza campanhas de esclarecimento para a população e mais do que tudo, cumpre o seu papel e protege a população de doenças totalmente preveníveis, diminuindo a mortalidade e trazendo qualidade de vida para toda população”, complementa a dra. Gouveia.

        Veja também: Vírus sincicial respiratório: sintomas, diagnóstico e prevenção

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