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Falhas na orientação de pacientes com diabetes dificultam adesão

Médico em consulta com paciente escrevendo prescrição.

Falhas na orientação de pacientes com diabetes podem contribuir para que muitas pessoas não ligam a doença à ocorrência de problemas cardiovasculares.

 

Um levantamento com 1.439 pessoas, sendo 611 (42%) com diabetes tipo 2, indica que falhas na comunicação entre médicos e pacientes podem estar relacionados a problemas de adesão ao tratamento, o que é particularmente perigoso no caso de uma doença que representa um dos principais fatores de risco para problemas cardiovasculares. A pesquisa “Quando o diabetes toca o coração”, resultado de uma parceria entre a “Revista Saúde”, da Editora Abril, a empresa Novo Nordisk e o EndoDebate, evento nacional anual sobre endocrinologia, mostrou que para muitas pessoas as doenças crônicas parecem ser pouco perigosas, diferentemente de problemas como câncer e acidente vascular cerebral (AVC), que são considerados muito graves.

Quase todos os pacientes (96%) relacionam o diabetes ao risco de amputação, mas 36% ignoram a relação entre insuficiência cardíaca e diabetes. No caso de infarto, 25% não enxergam ou não sabem se existe alguma relação entre esse evento e diabetes; quando o assunto é AVC, o desconhecimento chega a 26%. Problemas cardiovasculares como esses, porém, são responsáveis por 1 a cada 3 mortes entre pacientes com diabetes, segundo informações da Associação Americana de Diabetes (ADA). 

 

Veja também: Infográfico mostra principais complicações do diabetes

 

Questionados se receberam informação sobre problemas do coração na última consulta para controle do diabetes, 44% dos pacientes disseram que não, e 16% responderam que sim, mas as informações foram insatisfatórias. Sobre a orientação nas consultas regulares de maneira geral, 36% dos pacientes não consideram que o médico os orienta bem. 

É importante observar que a grande maioria das pessoas que participou da pesquisa tem alto nível de escolaridade e renda superior a dois salários mínimos. Se pensarmos que a população de baixa renda, maioria no Brasil, recebe ainda menos informações, podemos supor que, na média nacional, o nível de desconhecimento sobre o diabetes provavelmente seja ainda maior. 

 

Veja também: Entrevista com especialista sobre diabetes

 

Para o dr. Carlos Eduardo Barra Couri, endocrinologista e criador do EndoDebate, o problema começa ainda na faculdade de Medicina. Segundo ele, todo aluno deve se formar sabendo tratar o básico de doenças crônicas, mas ainda são poucas as horas de estudo sobre doenças complexas e multidisciplinares como o diabetes. “Também é preciso aprender além das habilidades técnicas. A principal ação é melhorar o atendimento. É preciso ser humano, acolher o paciente. Para promover a adesão ao tratamento não basta receitar o remédio, mas abrir a porta para o paciente, levantar para atendê-lo”, afirma.

Em muitos casos, os pacientes saem do consultório com a receita na mão e compram o remédio, mas não sabem da importância do medicamento para sua saúde. Falta o entendimento de que, ao não aderir ao tratamento adequado, as complicações podem ser muito graves. O ideal é que durante a consulta o médico explique claramente qual é a função do remédio e por que é fundamental tomá-lo. Falhar nesse ponto é desastroso para o tratamento. Segundo os dados da pesquisa, mais de 30% dos pacientes afirmaram que se esquecem de tomar o remédio de vez em quando ou não o tomam da maneira que o médico instruiu. O dr. Couri acrescenta que o trabalho do farmacêutico é fundamental nesse contexto, pois esses profissionais podem auxiliar na educação do paciente e reforçar as orientações do médico.

 

Vídeo: Endocrinologista tira dúvidas do público sobre o diabetes

 

 

Tratamento do diabetes deve ser amplo

 

A atenção com a saúde do coração ainda é um dos grandes obstáculos no tratamento do diabetes, pois as doenças cardiovasculares são a maior causa de mortalidade em todo o mundo. “Temos objetivos desafiadores no século 21 que vão além do controle da glicose no sangue, fundamental para o tratamento do diabetes tipo 2. O trabalho passa também por reduzir o peso e o risco de hipoglicemia e aumentar a segurança do ponto de vista cardiovascular”, explica ele. Na pesquisa, mais de 70% das pessoas com diabetes afirmaram estar acima ou muito acima do peso. 

As complicações do diabetes são diversas, e além do coração e do cérebro podem atingir principalmente os rins, os olhos e os pés. O tratamento é amplo e deve ser feito com uma equipe multidisciplinar. É necessário ainda promover mudanças no estilo de vida, especialmente na alimentação, com uma dieta equilibrada que contenha pouco açúcar. Praticar exercícios físicos também é essencial para o controle do peso. Pacientes também devem controlar a pressão arterial, pois a combinação de diabetes e pressão alta é um dos maiores riscos para a saúde.

 

Vídeo: Dr. Drauzio entrevista especialista sobre as complicações do diabetes

Sobre o autor: Maiara Ribeiro

Maiara Ribeiro é jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella e interessada em temas relacionados a saúde da mulher e deficiências na infância.