Você certamente já passou por alguma situação em que teve muita vontade de beber um copo de água. Pois saiba que neste momento o seu corpo já estava sinalizando o primeiro, e mais claro, sinal da desidratação – condição fisiológica que pode ser explicada pela pouca ingestão e a falta de reposição desse líquido tão valioso, mas, por vezes, tão ignorado e esquecido por nós.

O problema acomete mais crianças e idosos, porém muitos adultos também sofrem com a desidratação. Em circunstâncias normais, eles chegam a perder 2,5 litros de água por dia, seja por transpiração, expiração do ar,  pela urina e até por evacuações ou perdas fecais (quando o indivíduo evacua involuntariamente). Em muitos casos, porém, a água e os eletrólitos corpóreos não retornam ao organismo na quantidade necessária, enfraquecendo- o e podendo ocasionar problemas de saúde e até levar à morte.

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Além da sede, outros sintomas podem sinalizar a falta da água e dos principais sais mineiras em nosso corpo. De acordo com a pediatra Manuela Torres, nos casos leves a moderados, os principais sintomas são sede, olhos encovados, boca seca, diminuição de lágrimas e da urina, sonolência, entre outros. Nos casos mais graves, há intensificação desses sintomas podendo existir queda da pressão arterial e alterações importantes do sistema nervoso central, como confusão mental e delírios.

Dependendo da taxa de perda de água em relação aos eletrólitos, a desidratação pode ser classificada em três tipos:

Isotônica: É o tipo mais comum da desidratação, principalmente em crianças, e caracteriza-se por uma perda proporcional de água e sódio por meio de vômitos e diarreias.

Hipertônica: Segundo tipo mais recorrente. Acontece quando a proporção de água perdida é maior que a de sódio.  Acomete mais pessoas com diabetes, e representa aproximadamente 10% a 20% de todos os casos pediátricos de desidratação com diarreia. Febres prolongadas, sudorese intensa, baixa administração de água, hiperglicemia, dietas sem reposição correta e diarreias intensas são as causas desse tipo.

Hipotônica: Bastante incomum em adultos e idosos, mas representa de 10% a 15% dos casos pediátricos de desidratação com diarreia. Neste caso, ocorre perda maior de sódio do que de água. As alterações gastrointestinais ou renais, má nutrição, uso de diuréticos sem reposição adequada de sais são alguns dos fatores que podem desencadear a desidratação hipotônica

“O tratamento para esses tipos de perda vai depender da idade, intensidade e a causa da desidratação. O uso de soluções de reidratação oral, com quantidades adequadas de água, sais minerais e glicose sempre deve ser orientado para pacientes com desidratação leve ou moderado. Nos casos mais graves, essa reposição deve ser realizada pela endovenosa”,  explica Manuela Torres.

No caso das crianças, que tendem a sofrer mais com diarreias, os pais devem evitar o uso de líquidos inadequados para a reposição como refrigerantes e bebidas esportivas. “Nesses casos, recomenda-se utilizar soluções de reidratação oral, sempre com orientação médica”, finaliza.