Com baixa adesão, Campanha Nacional de Multivacinação é prorrogada

Em meio à queda da cobertura vacinal e à baixa adesão à primeira fase da campanha, Ministério da Saúde anuncia prorrogação da Campanha Nacional de Multivacinação até o dia 30/11/2021. Veja quais as vacinas disponíveis.

close em braço de menina sendo vacinada em campanha nacional de multivacinação

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Publicado em: 05/11/2021

Revisado em: 27/01/2022

Ministério da Saúde anuncia prorrogação da Campanha Nacional de Multivacinação. A primeira fase da campanha teve baixa adesão.

 

O Ministério da Saúde anunciou, na semana passada, a prorrogação da Campanha Nacional de Multivacinação até 30/11/2021. A campanha, lançada no fim de setembro, deveria terminar em 29/10/21, mas foi estendida devido à baixa adesão da população.

Veja também: Siga com a vacinação das crianças durante a pandemia

O objetivo da ação é atualizar a carteira de vacinação de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Estão disponíveis, nos cerca de 45 mil postos do país, as 18 vacinas que compõem o Calendário Nacional de Vacinação da criança e do adolescente.

Veja as vacinas oferecidas:

  • BCG (contra tuberculose);
  • Hepatite A e B;
  • Penta (DTP/Hib/Hep B) – protege contra tétano, hepatite B, coqueluche, difteria e infecções causadas pela  bactéria Haemophilus influenza tipo b;
  • Pneumocócica 10 valente –  previne cerca de 70% das doenças graves (pneumonia, meningite, otite) em crianças, causadas por dez sorotipos de Streptococcus pneumoniae.
  • VIP (Vacina Inativada Poliomielite);
  • VRH (Vacina Rotavírus Humano);
  • Meningocócica C (conjugada);
  • VOP (Vacina Oral Poliomielite);
  • Febre amarela;
  • Tríplice viral (Sarampo, rubéola, caxumba);
  • Tetraviral (Sarampo, rubéola, caxumba, varicela);
  • DTP (tríplice bacteriana) – protege contra difteria, tétano e coqueluche;
  • Varicela; e
  • HPV quadrivalente (Papilomavírus Humano).

Estarão disponíveis para atualização da caderneta de adolescentes as vacinas:

  • HPV;
  • dT (dupla adulto) – protege contra difteria e tétano;
  • Febre amarela;
  • Tríplice viral;
  • Hepatite B;
  • dTpa (difteria, tétano e coqueluche); e
  • Meningocócica ACWY (conjugada).

 

Queda da cobertura vacinal

 

O Brasil registrava uma das mais altas coberturas vacinais do mundo, mas a situação vem mudando desde 2015.  O país, cujos índices de vacinação chegavam a até 90%, hoje tem cerca de 60% de cobertura vacinal, um número que preocupa especialistas.

O Plano Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, é apontado por autoridades em saúde internacionais e nacionais como uma das políticas de saúde mais bem-sucedidas no mundo. Foi responsável por, por exemplo, erradicar a poliomielite do país em 1989.

Por isso, é muito importante aproveitar esse momento da campanha para a recuperação do atraso vacinal. Vacinar para não voltar

Entre 2015 e 2020, no entanto, a cobertura vacinal caiu. Como resultado, tivemos a volta do sarampo em 2018, doença que havia sido erradicada do território nacional em 2016, e o aumento de outras enfermidades que estavam controladas.

Todas as vacinas do Calendário Nacional de Imunizações sofreram queda de cobertura nos últimos anos. Para ilustrar, peguemos a vacina contra a poliomielite. Segundo o Instituto para Políticas Públicas de Saúde (Ipes), a cobertura vacinal contra a doença era de 98,3% em 2015, passou para 84,2% em 2019 e chegou a 75,9% em 2020.

“Essa queda é, também, fruto de uma percepção de risco baixa em relação a determinadas doenças, já que o próprio sucesso das vacinas fez com que essas doenças, ao desaparecerem, sumissem do imaginário de todos”, afirma o dr. Renato Kfouri, infectologista pediátrico e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

Há outras causas apontadas por especialistas para a diminuição da cobertura vacinal: falta de informação dos profissionais de saúde e da população acerca do calendário vacinal, horário limitado de funcionamento dos postos de vacinação, aumento da circulação de desinformação, ausência de campanhas de comunicação bem feitas, etc.

Além disso, vale ressaltar que o PNI está sem coordenador desde julho de 2021, quando a ex-coordenadora Franciele Fantinato deixou o cargo, o que pode comprometer ainda mais a cobertura vacinal do país.

A pandemia de covid-19 piorou a situação: “Com a pandemia, o problema foi exacerbado. O receio de sair, de frequentar unidades de saúde fez a cobertura vacinal cair ainda mais, colocando em risco todas as conquistas das campanhas de vacinação. Por isso, é muito importante aproveitar esse momento da campanha para a recuperação do atraso vacinal. Vacinar para não voltar”, conclui o dr.Kfouri.

 

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