A dor nas costas é uma queixa comum e, na maioria das vezes, está relacionada a problemas musculoesqueléticos. Mas nem toda dor nessa região tem a mesma origem, e características como irradiação para braços ou pernas, formigamento, febre, perda de peso, dor noturna ou alterações urinárias podem mudar completamente a investigação.
Mais do que a intensidade da dor, importa entender como ela se comporta. É o que ajuda o profissional de saúde a diferenciar um quadro mecânico, mais comum, de situações que exigem uma investigação específica.
“A imensa maioria dos quadros é de origem mecânica, e o comportamento aqui é bastante previsível: piora quando o paciente se movimenta ou carrega peso, alivia quando ele muda de posição ou descansa, e costuma oscilar ao longo do dia. É uma dor que responde ao que o corpo faz”, explica Luciano Miller, ortopedista do Einstein Hospital Israelita (SP).
Possíveis causas da dor nas costas
Uma das causas que pode provocar dor nas costas é a hérnia de disco, alteração que ocorre quando uma parte do disco intervertebral se desloca, podendo comprimir uma raiz nervosa. Nesse caso, a dor pode se irradiar para um braço ou uma perna, acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força. Na prática, a localização da dor pode ajudar, mas não é suficiente para estabelecer a causa.
Outro quadro que pode causar dor nas costas é a espondilite anquilosante. “A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que acomete as articulações da coluna e da bacia. Ela tem uma característica clínica que costuma passar despercebida: o paciente é jovem, acorda travado, leva um bom tempo para caminhar sem dor pela manhã e melhora justamente quando se movimenta, ao contrário do que se espera”, afirma o médico.
A osteoporose também pode estar por trás de dores na coluna, principalmente quando há fraturas vertebrais. Nesses casos, a dor pode aparecer de forma súbita após um esforço ou trauma mínimo.
Além dessas condições, infecções da coluna, tumores e metástases também podem provocar dor persistente e progressiva. Alguns desses quadros podem vir acompanhados de febre, abatimento, perda de peso ou dor que não melhora com o repouso.
Uma das armadilhas da investigação é presumir que toda dor localizada na região lombar tenha origem na coluna. Cálculos renais e pielonefrite, por exemplo, podem provocar dor no flanco ou na região lombar e levar o paciente a procurar atendimento por uma suposta dor nas costas.
No cálculo renal, a dor costuma ser intensa e em cólica, podendo irradiar para o abdômen ou para a virilha e vir acompanhada de náuseas, vômitos ou alterações na urina. Já a pielonefrite, uma infecção do rim, pode provocar febre, calafrios, dor no flanco e sintomas urinários.
“O cálculo renal e a pielonefrite, por fim, não são problemas de coluna, mas o paciente sente a dor no flanco e chega ao consultório queixando-se de dor lombar”, explica Miller. Por isso, os sintomas que acompanham a dor são fundamentais para direcionar a investigação.
Como fazer o diagnóstico correto?
A investigação começa pela história clínica e pelo exame físico. Só depois é definido se há necessidade de exames complementares. Eles podem ser:
- ressonância: hérnia, nervos, infecções e tumores;
- radiografia e tomografia: principalmente fraturas e alterações ósseas;
- densitometria: investigação da osteoporose;
- exames de sangue, urina e ultrassonografia: podem ser indicados conforme a suspeita, inclusive de problemas renais.
O exame de imagem deve sempre ser relacionado aos sintomas, já que alterações degenerativas são comuns mesmo em pessoas sem dor.
“A maior parte do diagnóstico é pela história contada pelo paciente e o exame físico. O exame complementar vem depois, e apenas quando algo na história justifica pedi-lo. Importante insistir neste ponto, pois a imagem solicitada sem critério quase sempre encontra alguma alteração, geralmente um desgaste próprio da idade, e esse achado acaba assustando o paciente e desviando o tratamento”, afirma Miller.
Sinais de alerta
“É necessário procurar atendimento sem demora quando a dor nas costas vem acompanhada de perda de força, dificuldade para caminhar, perda de sensibilidade na região íntima, retenção urinária ou perda do controle da urina e das fezes. Esses sintomas podem indicar compressão importante das estruturas nervosas”, alerta Patrick Felipe Catricala, radiologista no laboratório Delboni, da Dasa.
Outros sinais de alerta são:
- febre ou calafrios;
- dor intensa após trauma;
- perda de peso sem explicação;
- dor progressiva, noturna ou que não melhora com repouso;
- dor que persiste por quatro a seis semanas ou limita as atividades;
- dor nova em quem tem histórico de câncer.
Na consulta, informe quando a dor começou, onde está, o que piora ou melhora e se há outros sintomas associados. Também leve a lista de medicamentos, tratamentos já realizados e exames anteriores.
“Exames anteriores devem ser levados com as imagens completas, e não apenas com os laudos, porque a comparação entre os estudos pode ajudar a identificar se determinada alteração é antiga, recente ou progressiva”, orienta Catricala.
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