Não há quem resista às diversas gostosuras que compõem a mesa do Natal e do Ano-Novo. Para o brasileiro, as festas de fim de ano são pratos cheios para saciar a gula, considerada oficialmente permitida nessa época. O problema é, depois de passada as festas, algumas pessoas recorrem à dietas milagrosas .

Celulites e estrias podem ser evitadas com boa alimentação
Escolha de alimentos inadequados para compor a dieta é responsável pela obesidade

Porém, segundo a nutricionista Camila Leonel, professora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina, é preciso ter cautela na hora de escolher a dieta. O imediatismo e a desinformação levam milhares de pessoas a tentar fórmulas fáceis para adquirir o corpo sonhado que colocam a saúde em perigo. “É consenso entre os especialistas que chegar e principalmente manter o peso adequado é um projeto de longo prazo.”

A principal recomendação dos nutricionistas para uma alimentação saudável pós-festas é investir no consumo alimentar consciente, em vez de se privar dos prazeres da mesa ou sentir-se culpado pelo consumo de certos alimentos, bebidas e preparações. Antes de iniciar a alimentação regrada regular, entretanto, é recomendável uma dieta especial evitando alimentos específicos para fazer uma “faxina” no corpo e se livrar das toxinas adquiridas em excesso.

“Diariamente o organismo é intoxicado por diversas substâncias químicas (nitratos, nitritos, aminoácidos, proteínas, aminas, alcaloides, glicosídeos e numerosos compostos fenólicos) que causam reações adversas no corpo. Esses componentes estão presentes no ar que respiramos e também na feijoada mais gordurosa que comemos. Mas claro que o nível de toxidade varia de acordo com o teor de poluentes, gorduras, agrotóxicos, temperos e conservantes presentes nos alimentos”, afirma Leonel.

Quando esses itens são consumidos em excesso, como acontece frequentemente em ceias de fim de ano, ficam sobrecarregadas as mitocôndrias, organela responsável pela respiração das células. Uma vez agredidas, elas passam a produzir radicais livres, moléculas com elétrons altamente instáveis e reativos e que podem causar doenças degenerativas. Os radicais oxidam as células, ou seja, queimam o oxigênio responsável por funções celulares vitais, intoxicando o corpo e desequilibrando sua bioquímica. Fora isso, o fígado e os rins, órgãos com papel fundamental na tarefas de filtrar as impurezas do organismo, acabam comprometidos, já que são obrigados a trabalhar com uma carga além de sua capacidade, e acabam não exercendo completamente sua função.

Consequências

As consequências mais aparentes são baixa resistência, cansaço, retenção de líquidos (o que dá o aspecto “inchado”) e pele mais opaca. Entre os efeitos mais graves ligados ao acúmulos de toxinas estão o câncer e a doença de Alzheimer. Mas não há motivo para alarde. O corpo elimina naturalmente toxinas por meio da transpiração, respiração, fezes e urina, mas quando há excesso deve-se ajudar o organismo com uma dieta desintoxicante. São necessários apenas sete dias de boa alimentação e mudança de hábitos para conseguir se livrar do resultado de quatro dias de exagero.

“A intenção é otimizar o funcionamento do organismo e eliminar toxinas adquiridas por uma alimentação desequilibrada, cheia de agrotóxicos e industrializados, poluição ambiental, cigarros, entre outros”, afirma Leonel. “Entretanto, essa dieta não pode ser encarada como solução única nem ser adotada permanentemente, mas sim vista como uma ajuda temporária”, alerta a nutricionista.

Camila Leonel listou cinco dicas que vão ajudar a desintoxicar o organismo de maneira coerente e sem colocar em risco sua saúde:

1) Arrume seu cardápio — Nesse período de desintoxicação, consuma mais vegetais da classe das oleaginosas, como as castanhas, avelã e nozes, que possuem vitamina E, ômega-3, cálcio, magnésio, zinco, selênio, cobre e manganês. Inclua também os da classe das brássicas, como o agrião, brócolis, couve-chinesa, couve de folha, couve-flor, mostarda, nabo, rabanete, repolho e rúcula, pois todos têm ação anti-inflamatória e antioxidante (inibe a oxidação causada pela emissão de radicais livres). Coma frutas aquosas, como melancia, abacaxi e laranja. Por possuírem muita água, essas frutas aumentam a produção de urina e melhoram o funcionamento dos rins.

2) Evite bebidas alcoólicas nesse período — A dica parece óbvia, mas nem todos fazem ideia de como o álcool atrapalha o processo de limpeza do organismo. O etanol presente nas bebidas inibe a produção do hormônio antidiurético, ou seja, tem poder de aumentar a diurese. Esse até poderia ser um sinal positivo, afinal, como as frutas aquosas citadas acima, o etanol ajudaria os rins a trabalhar. O problema é que as idas frequentes ao banheiro fazem com que a água seja totalmente eliminada do corpo, restando apenas o etanol, que desidrata o organismo. Sem água, os rins não conseguem trabalhar e a purificação do organismo fica prejudicada.

3) Beba bastante água — Além de hidratar, a água estimula a circulação sanguínea, o que ajuda a purificar o sangue, além de fazer os rins trabalharem, auxiliando na filtragem do que foi ingerido. Sem contar que água contribui para a formação do bolo alimentar, o que melhora o funcionamento intestinal e regula a excreção.

4) Evite doces e comidas muito salgadas — Antes de o açúcar cair na corrente sanguínea, ele passa pelo pâncreas, glândula que secreta insulina para quebrar a glicose e controlar a quantidade que irá chegar à corrente sanguínea. Quando o alimento contém muito açúcar, como os doces, a insulina encontra dificuldades para fazer seu trabalho e acaba permitindo que grande quantidade de glicose vá para o sangue. Altas taxas de açúcar na corrente sanguínea são muito nocivas e estão ligadas a diabetes e doenças cardiovasculares graves. Já o sal é rico em cloreto de sódio, componente com alta propriedade osmótica, que acaba atraindo moléculas de água para si e levando à retenção de líquidos e desidratação.

5) Dê preferência aos alimentos orgânicos — São mais caros, mas se puder, opte por eles. Esse alimentos são livres de agrotóxicos, que são ricos em organoclorados, um solvente composto de carbono que tem a propriedade de diminuir a produção do TSH, hormônio estimulante da tireoide. Com menos TSH, o metabolismo (conjunto de transformações químicas que ocorrem nas células) fica mais lento, prejudicando a desintoxicação.