Usar o celular antes de dormir faz mal? Saiba os impactos desse hábito no sono - Portal Drauzio Varella
Página Inicial
Neurologia

Usar o celular antes de dormir faz mal? Saiba os impactos desse hábito no sono

O celular na hora de dormir é um grande vilão do sono. Crianças e adolescentes são ainda mais vulneráveis aos efeitos nocivos do aparelho

A cena é comum: uma pessoa apaga as luzes, deita-se na cama e pega o celular. Muitas vezes, o plano é apenas ajustar o despertador ou reduzir a luminosidade da tela. Mas uma notificação acaba roubando sua atenção e quando ela vê, já foram 30 minutos rolando a tela. De repente, fica mais difícil pegar no sono. 

Se a situação não lhe soa familiar, você provavelmente integra uma parcela pequena da população. Uma pesquisa da NordVPN apontou que 94% dos brasileiros usam o celular na hora de dormir. O problema é que o uso do aparelho, especialmente na cama, tem impacto direto no sono. 

“Além de emitir luz predominante na faixa azul, que é a que mais interfere com o nosso relógio biológico, o celular é fonte de estímulos devido ao seu conteúdo. A luz emitida pelas telas é captada pela retina e transmitida à região cerebral (núcleo supraquiasmático), que orquestra o nosso relógio biológico interno. Na presença de luz, ele se organiza para que o corpo funcione como se fosse dia, e na sua ausência, prepara para as atividades noturnas, especialmente o sono. Assim, na presença da luz de aparelhos eletrônicos, há uma simulação do dia, afugentando o sono e preparando o organismo para as atividades”, explica Lucio Huebra, neurologista e membro da diretoria da Academia Brasileira do Sono.

O resultado é um atraso no início do sono, sono fragmentado e encurtamento do tempo total de sono. Além disso, segundo o médico, a simples presença do celular ao lado da cama já nos remete a diversas tarefas que geram preocupação e ansiedade, podendo dificultar o relaxamento; enquanto as notificações no meio da noite podem causar despertares e piorar a qualidade de sono.

Em relação ao conteúdo consumido, ele frequentemente tem caráter estimulante, principalmente os vídeos curtos em redes sociais. “Esses conteúdos geram pequenos prazeres, alimentando o nosso circuito de recompensa, liberando mais dopamina e deixando o indivíduo mais estimulado e com interesse de manter o consumo”, alerta ele. 

 

O celular está fazendo mal? Veja os sinais de alerta

Segundo Huebra, quaisquer sinais de sono de má qualidade, dificuldades para início ou manutenção do sono e impactos no dia seguinte devem ser valorizados. É importante também revisar todos os hábitos de higiene do sono antes de dormir. 

“Os impactos diurnos podem ser prejuízo na atenção e concentração, irritabilidade, fadiga e falta de energia, sonolência diurna e erros mais frequentes no trabalho”, detalha. 

Situações que acendem um sinal de alerta sobre o uso do celular incluem: 

  • sentir necessidade de usar o aparelho até o momento de dormir; 
  • sentir sua falta quando está na cama; 
  • demorar mais de 30 minutos para adormecer por ainda estar muito conectado; 
  • querer verificar o aparelho se houver algum despertar no meio da noite; 
  • checar o celular no primeiro momento do despertar pela manhã. 

O médico orienta procurar avaliação médica quando esses sintomas persistem e impactam o trabalho, estudos ou qualidade de vida.

 

Crianças e adolescentes são mais vulneráveis

Se o uso do celular na cama já causa tantos malefícios para a população geral, no caso de crianças e adolescentes, a situação piora. Eles são mais vulneráveis aos efeitos dos eletrônicos antes de dormir porque, de acordo com o especialista, o cérebro ainda em processo de maturação têm maior propensão a captar os diferentes estímulos — tanto luminosos quanto os de prazer proporcionado pelos conteúdos dos eletrônicos. 

“Os adolescentes têm, naturalmente, uma tendência fisiológica de se tornarem mais vespertinos, ou seja, dormirem e acordarem mais tarde, e o uso de eletrônicos com telas pode retardar ainda mais o início do sono”, alerta Huebra. 

 

Como não deixar o celular atrapalhar o sono

A principal medida é se privar do uso de celular e eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir e nunca usar o aparelho já na cama. Além disso, o neurologista recomenda:

  • desligar qualquer tipo de notificação ao longo da noite;
  • não ter, preferencialmente, o aparelho ao alcance das mãos na madrugada;
  • ocupar o período desconectado com atividades relaxantes, como leitura, audiolivros, tarefas manuais ou música.

Veja também: Como a qualidade do sono pode influenciar no surgimento de demências?

Compartilhe