A síndrome dos ovários policísticos (SOP) mudou de nome. Agora, ela é chamada de síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), a fim de mostrar que a condição vai além da presença de cistos nos ovários e apresenta também desordens sistêmicas com efeitos hormonais e metabólicos.
A SOMP, portanto, acontece pela produção aumentada de hormônios andrógenos no organismo feminino. Em mulheres saudáveis, os ovários produzem estrogênio, progesterona e também testosterona, mas em menor nível. Na SOMP, a produção de testosterona é aumentada, provocando alterações menstruais, infertilidade e surgimento de acne, pelos faciais e pele oleosa, por exemplo.
Outro efeito preocupante é a resistência à insulina.
SOMP e diabetes: qual é a relação?
A resistência à insulina afeta até 70% das mulheres com SOMP. Nesses casos, a insulina, uma espécie de chave capaz de abrir as células para a entrada de energia (glicose), é ignorada pelo corpo. O fígado, o tecido adiposo e os músculos, por exemplo, deixam de receber a ação desse hormônio. O pâncreas, então, se esforça para produzir ainda mais insulina.
“É como se fosse uma gasolina de má qualidade: gasta-se mais gasolina para o carro andar. Quando falamos em resistência insulínica, também falamos em hiperinsulinemia compensatória. É preciso ter mais insulina [no organismo] para que ela aja como deve ser”, exemplifica Poli Mara Spritzer, subcoordenadora do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Como os ovários não são resistentes à insulina, esse excesso de hormônios no corpo ativa os mecanismos que produzem a testosterona, piorando a SOMP e predispondo ao risco de diabetes tipo 2.
Mulheres com SOMP apresentam um risco três a quatro vezes maior de desenvolver diabetes, especialmente se tiver obesidade ou histórico da doença na família.
É possível prevenir?
“Nem todas as mulheres com a síndrome vão desenvolver diabetes. Elas têm um risco aumentado, mas nem todas desenvolvem, e nós devemos rastrear isso. Não só quando já há diabetes, mas também quando há pré-diabetes, que é ainda mais frequente”, alerta Spritzer.
O rastreamento é feito a cada um a três anos, dependendo do quadro clínico. Em mulheres com obesidade e histórico familiar de diabetes tipo 2, o rastreio deve ser anual. Em mulheres ativas, com hábitos de vida saudáveis, peso normal e sem histórico anterior, pode ser feito a cada três anos.
A prevenção envolve manter uma dieta saudável, rica em fibras e com menos açúcar, bem como a prática de atividade física regular. A medicação pode ser uma aliada quando já houver um quadro de pré-diabetes ou diabetes tipo 2. Algumas delas são mais adequadas para mulheres com SOMP, por isso a paciente deve conversar com o seu médico para entender as opções.
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