Uma em cada 25 pessoas pode desenvolver incontinência urinária ao longo da vida, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que lança hoje (28/03/2013) a I Campanha Nacional de Conscientização sobre o distúrbio que atinge cerca de 35% das mulheres após a menopausa. “A incontinência é a perda involuntária de urina pela uretra, ou seja, o indivíduo não tem controle da urina expelida. Isso acontece pelos mais variados motivos, mas em geral é uma falha no mecanismo urinário, quando o esfíncter, músculo que segura a urina, não consegue mantê-la dentro da bexiga. O problema acomete ambos os sexos, mas as mulheres correm  duas vezes mais risco de desenvolver incontinência”, esclarece Márcio Averbeck, chefe do departamento de uroneurologia e coordenador da campanha da SBU.

Ainda de acordo com o urologista, vários fatores podem desencadear o problema nas mulheres, como por exemplo, alterações hormonais e gestação. “A anatomia também influencia. A uretra da mulher, responsável por levar a urina até o meio externo, é pequena, tem cerca de quatro centímetros. Por isso, sua capacidade de retenção [da urina] é menor que a dos homens, cuja uretra pode chegar a 20 centímetros. Outra questão é que a passagem do bebê pelo canal de parto, no parto normal, também contribui para o aumento da incidência. Prova disso é que 40% das mulheres gestantes apresentam um ou mais episódios de incontinência urinária durante a gestação ou logo após o parto”, diz Averbeck. No caso dos homens, a cirurgia para remoção de tumores da próstata (prostectomia radical) também pode estar associada à ocorrência de incontinência urinária. Cerca de 5% dos pacientes submetidos ao tratamento cirúrgico para câncer de próstata podem apresentar algum grau de perda urinária.

Mas ele explica, ainda, que existem diferentes tipos de incontinência urinária, como a de esforço, quando há perda de urina ao tossir, rir ou ao realizar exercícios físicos.

A incontinência urinária de urgência ocorre quando há vontade súbita de urinar e a pessoa não consegue chegar a tempo ao banheiro. “Quando há mais de oito episódios de micção em 24 horas, devemos suspeitar de bexiga hipertativa, um distúrbio que pode predispor à incontinência urinária”, diz ele.

A campanha nacional denominada Segura Aí tem como objetivo alertar a população sobre as medidas que devem ser adotadas para atenuar e prevenir a incontinência, além de esclarecer que há tratamentos extremamente eficazes e minimamente invasivos para o retorno do controle miccional.

A ação acontecerá hoje em três capitais: Rio de Janeiro (no Largo da Carioca, das 9 às 14 horas), São Paulo (em frente ao Museu de Arte de São Paulo, das 10 às 14 horas) e Porto Alegre (na Esquina Democrática, das 9 às 16 horas). “Distribuiremos diversos informativos à população com o objetivo de esclarecer sobre o problema, que se não for tratado e diagnosticado, altera muito a vida social. Às vezes o indivíduo pensa que é normal perder um pouco de urina, mas não é”, completa o urologista.

É possível prevenir a incontinência urinária através de exercícios para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico. Os exercícios consistem em contrair os músculos do assoalho pélvico por 10 segundos e depois relaxá-los por mais 10. Os exercícios devem ser repetidos 10 vezes, em três sessões diárias.  “A primeira opção de tratamento é o exercício acompanhado por um médico ou fisioterapeuta para conscientização do músculo que precisa ser contraído. Em muitos casos, o exercício já resolve o problema, por isso é necessário consultar o urologista”, ressalta o médico.

Mas, em geral, hábitos saudáveis também auxiliam na prevenção, como: controlar o ganho de peso nas gestações; praticar exercícios para fortalecer o assoalho pélvico; evitar a prisão de ventre; e não fumar para evitar a tosse.