Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, os medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade (como semaglutida e tirzepatida) já fazem parte da realidade de milhões de brasileiros. Apesar dos benefícios para quem tem indicação, o uso inadequado pode comprometer a perda de peso, aumentar o risco de efeitos colaterais e até trazer prejuízos à saúde.
De forma geral, esses medicamentos são indicados para pessoas com obesidade (IMC acima de 30) ou com sobrepeso (IMC acima de 27) associado à presença de condições relacionadas ao excesso de gordura corporal, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e esteatose hepática.
“O tratamento da obesidade não se resume ao uso do medicamento. Costumamos falar em uma terapia tripla: medicação, mudança dos hábitos alimentares e prática de atividade física. Quando apenas um desses pilares é utilizado, os resultados tendem a ser menos consistentes”, destaca Cynthia Valério, subcoordenadora do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
A seguir, confira os 10 erros mais comuns ao usar as canetas emagrecedoras.
1. Usar sem orientação médica
Recorrer às medicações sem avaliação e acompanhamento profissional é um dos erros mais frequentes. Muitas pessoas iniciam o tratamento influenciadas por relatos de amigos, conteúdos nas redes sociais ou recomendações de influenciadores, sem considerar suas condições de saúde e necessidades individuais.
Essa prática aumenta o risco de uso inadequado, doses incorretas e efeitos colaterais, como náuseas, vômitos, diarreia e desconforto gastrointestinal, além de dificultar a manutenção do peso a longo prazo.
“Muitos pacientes acreditam que a medicação não funciona, causa mal-estar ou provoca efeito rebote quando, na verdade, o problema está na falta de orientação sobre a indicação correta, a dose adequada e a forma de utilização”, explica André Gonçalves, endocrinologista e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
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2. Comprar medicamentos de origem duvidosa
Adquirir medicamentos sem procedência confiável é outro ponto de atenção. Produtos comprados fora de canais autorizados podem não seguir padrões adequados de fabricação, armazenamento e controle de qualidade. Isso abre espaço para irregularidades na composição, variação de dose ou até falsificações, o que eleva o risco de efeitos adversos e de ausência de resultado esperado.
3. Ajustar a dose por conta própria
Alterar a dose por conta própria pode parecer inofensivo, mas interfere diretamente na segurança do paciente.
“Esses medicamentos foram estudados em milhares de pacientes para definir não apenas os benefícios e riscos, mas também a melhor forma de progressão das doses. Quando esse protocolo não é seguido, os efeitos colaterais tendem a superar os benefícios”, afirma Gonçalves.
4. Esperar resultados imediatos
A pressa de emagrecer pode atrapalhar a percepção da eficácia do medicamento. O emagrecimento tende a ser contínuo e gradual, variando de pessoa para pessoa.
“Muitos indivíduos iniciam o tratamento esperando uma resposta imediata na balança e acabam mudando a dose ou a estratégia por conta própria. É preciso dar tempo para que a medicação faça efeito e seja possível avaliar os resultados de forma adequada”, diz Valério.
5. Não mudar a alimentação
Mesmo com o tratamento medicamentoso, a alimentação continua tendo um papel central no processo de perda de peso. O medicamento pode ajudar no controle do apetite, mas não substitui hábitos alimentares equilibrados.
Ajustes como reduzir o consumo de ultraprocessados, aumentar a ingestão de proteínas e fibras e organizar melhor as refeições ao longo do dia favorecem a resposta ao tratamento. Além disso, quando não há orientação nutricional adequada, a redução do apetite pode levar a um consumo insuficiente de nutrientes e até a um quadro de desnutrição.
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6. Não praticar atividade física
Manter-se sedentário pode atrapalhar a resposta ao tratamento. O medicamento não substitui os benefícios do gasto energético nem da preservação dos músculos. Por isso, praticar algum exercício físico regularmente, mesmo que leve, ajuda o organismo a responder melhor ao processo de perda de peso.
7. Avaliar o sucesso do tratamento apenas pelo peso na balança
O acompanhamento não deve se basear apenas no número da balança. Outros sinais, como mais energia, melhor disposição e mudanças na composição corporal também indicam a evolução do paciente.
“O objetivo não é simplesmente perder peso, mas reduzir o excesso de gordura, especialmente aquela que se acumula em locais inadequados, como o fígado e a região visceral”, complementa Valério.
8. Interromper o uso de forma abrupta
Suspender o uso dos medicamentos sem orientação médica pode atrapalhar a manutenção dos resultados e dificultar o controle do apetite. Em muitos casos, o tratamento exige ajustes graduais e acompanhamento profissional para garantir a estabilidade do peso após a interrupção.
9. Armazenar ou aplicar de forma incorreta
Erros na aplicação ou no armazenamento das canetas em temperatura inadequada comprometem a eficácia do medicamento. Isso inclui não seguir corretamente as orientações de uso, reutilizar o dispositivo de forma inadequada ou expor o produto a calor ou frio excessivos, o que atrapalha o tratamento.
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10. Subestimar possíveis complicações
Minimizar ou ignorar os possíveis efeitos adversos pode atrasar a identificação de problemas que exigem atenção. Entre eles, estão complicações biliares e inflamatórias, o que reforça a importância do monitoramento médico.
“Alguns pacientes têm maior risco de efeitos colaterais mais intensos, especialmente aqueles com predisposição a cálculos na vesícula. A perda de peso mais rápida pode favorecer a formação ou migração desses cálculos, com risco de colecistite (inflamação da vesícula biliar). Em casos mais graves, há o risco de pancreatite aguda, ou seja, inflamação súbita do pâncreas”, alerta Gonçalves.




