olhosHá quem não consiga nem mesmo imaginar como seria viver como os 582 mil brasileiros que não conseguem enxergar. Pela importância que damos ao sentido da visão, o que se deduz é que os olhos recebem o devido cuidado, mas segundo uma pesquisa do Ibope, encomendada pela Sociedade Brasileira do Glaucoma, 1/3 dos brasileiros com mais de 16 anos nunca foi ao oftalmologista.

Os dados servem para alertar a respeito do glaucoma, uma doença silenciosa que atinge 2% dos brasileiros acima dos 40 anos (cerca de 1 milhão de pessoas). O risco de desenvolver a doença chega a triplicar após os 70 anos. Dr. Vital Paulino Costa, presidente da Sociedade Brasileira do Glaucoma e chefe do Setor de Glaucoma da Unicamp, reforça que ir ao oftalmologista é imprescindível para detectar a doença, já que o glaucoma não causa sintomas. “A única maneira de diagnosticar [o glaucoma] é fazendo o exame de pressão ocular. Caso exista alteração, o médico vai pedir um exame completo, chamado ‘campo visual’. Por isso, incluir uma consulta ao oftalmo nos exames de rotina é fundamental.”

O glaucoma é uma doença hereditária progressiva causada pelo aumento da pressão intraocular, que acaba lesionando o nervo óptico. Em 80% dos casos, se não for tratado, pode evoluir para perda total da visão. Descobri-lo tardiamente também pode ser perigoso. “O paciente pode ter perdido muito do campo visual. Há casos em que a pessoa começa a sentir dificuldade para se locomover. Ela não nota obstáculos no meio do caminho porque a visão já está danificada.”

Algumas pessoas merecem atenção redobrada por apresentarem predisposição para a doença: indivíduos acima dos 40 anos, parentes de pacientes com glaucoma, pessoas de etnia negra ou afrodescendentes (a incidência da doença é quatro vezes maior nesse grupo), míopes que utilizam lentes acima de seis graus e diabéticos que já tiveram traumas ou doenças intraoculares.

Costa lembra que o excesso de uso de cortisona também pode contribuir para o surgimento da doença, principalmente se a droga for aplicada diretamente nos olhos, pois seu princípio ativo pode diminuir a produção de humor aquoso, líquido incolor responsável por regular a pressão interna do olho.

Diagnosticado o glaucoma, o primeiro passo é reduzir a pressão do olho. “Para isso é empregada terapia com colírios. Se não for eficaz, lança-se mão de tratamento com laser. Se mesmo assim não houver melhora,então recorre-se à cirurgia.”

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), são registrados 2,4 milhões de novos casos anualmente, somando 60 milhões de pessoas em todo o mundo.