No Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que ocorreu entre os dias 29 de agosto e 2 de setembro de 2015 em Londres, Inglaterra, uma novidade chamou a atenção da maioria dos médicos presentes. A descoberta de um princípio ativo, chamado evolucumab, que promete ser uma luz no fim do túnel para pacientes com hipercolesterolemia familiar (HF).

A droga não cura a doença, mas pode baixar drasticamente os níveis de colesterol ruim. Enquanto os tratamentos disponíveis, com uso de medicamentos convencionais, como as estatinas, baixam em média 3% do nível de LDL, o colesterol ruim, o evolocumab alcançou resultados 10 vezes maiores.

O medicamento age eliminando a proteína PCSK-9, que impede a destruição de LDL no fígado. Uma vez livres, as células hepáticas conseguem ‘matar’ o LDL e diminuir o nível desse colesterol no organismo. Além disso, ele é uma ótima opção para quem é intolerante às estatinas e sofre muito com seus efeitos colaterais, como dores musculares e cansaço.

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Aprovado nos EUA e na Europa, o pode demorar até 24 meses para ser aprovado pela Anvisa, segundo a indústria farmacêutica. No entanto, mesmo assim ele não será muito acessível — seu custo previsto é de aproximadamente 13 a 14 mil dólares por ano. O que muitos especialistas defendem é que, além da possibilidade de controlar melhor o colesterol e proporcionar mais bem-estar aos pacientes, a nova droga é importantíssima porque traz esperança de tratamento a uma doença negligenciada.

“A recente descoberta do PSCK-9 praticamente obrigou as pessoas a se debruçarem sobre o estudo do colesterol. O que consequentemente aumentou os conhecimentos sobre o problema, trazendo novos horizontes e melhorias no diagnóstico”, afirma Francisco Fonseca, presidente da SOCESP (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).

Esses fármacos não vão diminuir a mortalidade por doenças cardiovasculares no país, porque o acesso a eles será muito restrito. Mas podem fazer com que médicos e a população, que precisa do tratamento convencional bem feito, conheçam melhor as implicações da hipercolesterolemia — e isso sim diminui a mortalidade por doenças do coração.

Segundo os médicos,  nem todo mundo precisa tomar o medicamento. Cerca de 80% dos que sofrem de HF poderiam ser beneficiados pelo tratamento já existente, mas muitas vezes ele não é indicado por falta de conhecimento.

Para André Luis Batista Pereira, fundador e diretor da Associação Hipercolesterolemia Familiar, a esperança e a preocupação são grandes. “Eu não vejo a hora de o medicamento chegar ao Brasil. É o nosso porto seguro, é a mão que vai puxar a gente para cima. Vai ser literalmente revolucionário para quem tem a doença e não sabe mais o que faz para baixar o colesterol. Só espero que seja acessível. Não é todo mundo que tem esse dinheiro para pagar a medicação”, afirma.