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Um novo estudo divulgado em março pelo CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em tradução livre), localizado nos Estados Unidos, revela aumento nos casos de TEA (Transtornos do Espectro Autista) em uma população de crianças de até 8 anos em 11 estados americanos. Embora o Brasil não tenha registro de estudo semelhante, alguns de seus itens se adaptam à realidade brasileira. Confira o abaixo as conclusões do estudo:


• Cerca de 1 em 68 crianças foram identificadas com transtorno do espectro autista (14,7 por 1000 crianças 
de 8 anos). Esse dado, contudo, não representa toda a população americana.
• A nova estimativa é de cerca de 30% mais alta que a estimativa de 2008 (1 em 88 crianças), aproximadamente 60% mais alta que a estimativa de 2006 (1 em 110) e cerca de 120% mais alta que a estimativa de 2002 e 2000 (1 em 150). O motivo do aumento não foi estabelecido, mas especula-se que seja devido ao aumento no número de diagnósticos realizados atualmente nessas comunidades.
• O número de crianças identificas com TEA  varia bastante de comunidade 
para comunidade, de 1 em 175 crianças no Alabama a 1 em 45 em Nova Jersey.
• Quase metade (45%) das crianças identificadas com TEA tem capacidade intelectual na média ou acima da 
média (QI acima de 85).
• Os meninos têm maior probabilidade de ser identificados com TEA (1 em 42) do que as meninas (1 
em 189).
• O relatório também mostrou diferenças entre crianças brancas, negras e hispânicas. As brancas têm maior probabilidade de ser identificadas com TEA (1 em 63) do que as negras (1 em 81) e as hispânicas (1 em 93).
• Menos da metade (44%) das crianças identificadas com TEA foi avaliada por apresentar problemas no desenvolvimento aos 3 anos de idade.
• A maioria das crianças identificadas com TE A não recebeu o diagnóstico até ter mais de 4 anos, embora as crianças possam ser diagnosticada mais cedo, aos 2 anos.
• As crianças negras e hispânicas identificadas com TEA têm maior probabilidade que as brancas de apresentar déficit intelectual. Outro estudo do CDC mostrou que crianças com TEA e déficit intelectual apresentam um número muito maior de sintomas de TEA e recebem o primeiro diagnóstico mais cedo. Apesar de negros e hispânicos com TEA terem probabilidade muito maior de ter déficti intelectual, há diferença entre grupos raciais e étnicos na idade em que recebem o diagnóstico pela primeira vez.
• Cerca de 80% das crianças identificadas com TEA tiveram acesso a serviços de educação especial para portadores de autismo na escola ou receberam o diagnóstico de TEA de um médico. Isso significa que os 20% restantes identificados com TEA tiveram sintomas do transtorno documentados em seus históricos, mas ainda não tinham sido classificados como portadores de TEA por profissionais da escola ou médicos.

Situação Brasileira

   O doutor José Salomão Schwartzman, professor titular do curso de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o aumento na incidência pode ter ocorrido porque o conceito de autismo, antes restrito a poucos especialistas, tornou-se mais acessível.


  “Tinha pediatras que diziam nunca ter lidado com um caso de autismo e não havia centros de referência para o transtorno no mundo. Com o aumento da conscientização da classe médica e da população em geral, casos que recebiam outros diagnósticos começam a encaixar-se no de TEA. Outro fator é que o próprio conceito de TEA mudou: antes os sintomas eram mais clássicos, hoje temos casos em que fica difícil saber se o paciente está dentro do espectro do autismo ou se apenas é uma pessoa com personalidade mais introspectiva e tímida”, diz. 

  Assim como nos estados americanos analisados, aqui no Brasil a doença é geralmente identificada por volta dos 3 anos. No entanto, quando os pais suspeitam logo cedo que o bebê tem TEA, já é possível começar o tratamento fonoaudiológico — para desenvolver capacidades de comunicação além da fala — e com um psicólogo comportamental.

   O doutor Schwartzman também explica por que o transtorno afeta mais meninos do que meninas. “Os hormônios são os responsáveis por definir habilidades e também por engatilhar certas doenças. Sendo assim, quem nasce com mais hormônios masculinos tem mais tendência a desenvolver autismo, dislexia, esquizofrenia e deficiências de aprendizado. Já quem nasce com menos, corre mais risco de desenvolver transtornos de ansiedade.”

   Sobre a questão étnica, Schwartzman afirma que não há como comparar os dados americanos com a realidade brasileira. “Não conheço base teórica que valide as diferenças da ocorrência de autismo entre crianças de etnias diferentes. No Brasil, não há como diferenciar raças. Todos nós somos mais ou menos brancos, mais ou menos negros.”

TEA

   O Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes síndromes marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem manifestar-se em conjunto ou isoladamente. São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

Também chamado de Desordens do Espectro Autista (DEA ou ASD, em inglês), recebe o nome de espectro (spectrum) porque envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leves à mais grave. Todas, porém, em menor ou maior grau estão relacionadas com as dificuldades de comunicação e relacionamento social.

 

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