A asma grave é uma doença crônica que atinge de 5% a 10% dos pacientes com asma e costuma surgir na infância. Na prática, essa variação da enfermidade caracteriza-se por sintomas frequentes e intensos, mesmo que o paciente faça o tratamento preventivo. E como sintomas entende-se: chiado no peito, dificuldade para falar e cansaço, entre outros, que levam os portadores ao hospital até 15 vezes mais do que os pacientes com asma leve.

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A rotina e a qualidade de vida das pessoas com asma grave ficam bastante prejudicadas, pois as crises levam a hospitalizações e internações recorrentes, o que impacta diretamente a vida escolar ou profissional. Segundo o dr. Paulo Pitrez, pneumologista pediátrico e professor da Faculdade de Medicina da PUC – RS, uma pesquisa recente feita na universidade mostrou que 2/3 dos alunos perdem aula frequentemente devido às idas ao hospital e 60% são sedentários, já que por conta das crises eles têm medo de praticar qualquer tipo de esporte ou atividade física.

“A doença gera uma ansiedade muito grande na maioria dos pacientes e até um quadro depressivo, porque sempre há expectativa sobre quando ocorrerá a próxima crise”, explica.

Na verdade, o que diferencia a asma grave das leve e moderada é que a primeira precisa de mais medicação para ser controlada.

“Asma leve e moderada são a princípio de fácil controle. Depois que o especialista entra com as medicações preventivas de uso contínuo, a doença deve ficar controlada. Ela deixa de ficar sob controle, muitas vezes, por descuido do paciente, que não segue o tratamento de forma correta. Já a asma grave é mais difícil de controlar, por isso são necessárias doses mais altas de medicação e combinações de medicações preventivas. É fundamental manter a asma controlada, independentemente da sua gravidade, para que o paciente leve uma vida normal ou bem próxima disso.”

Pitrez reforça, ainda, que o objetivo principal do tratamento é saber como controlar a asma e seus sintomas no dia a dia – e não apenas durante as crises provocadas pela doença –, garantindo qualidade de vida ao paciente e diminuindo o risco futuro, como perda de função pulmonar e efeitos colaterais dos medicamentos. “A disciplina do paciente é fundamental ao seguir o tratamento diário, o que ajudará a prevenir complicações.”