A poluição mata três milhões e trezentas mil pessoas ao ano no mundo todo. E  vai matar ainda mais: mantidos os níveis atuais de poluição, esse número pode dobrar até 2050.

Os efeitos da poluição sobre doenças cardiovasculares e pulmonares são as principais causas desses óbitos.

Há dois tipos de poluição no ar: a formada pelos gases eliminados no ambiente e a gerada pelo chamado material particulado, que é medido pelo seu tamanho. Esse material  inclui os resíduos sólidos da queima de combustíveis, e metais pesados que sobram dessa combustão, como o chumbo e outros. É chamado de PM­2,5 quando tem até 2,5 micra de tamanho e de PM10  quando mede até 10 micra.  As partículas desse material chegam até os alvéolos quando respiramos e podem entrar na corrente sanguínea. A presença de poluentes nos alvéolos e na corrente sanguínea desencadeia uma reação inflamatória que causa ou piora doenças como infarto do miocárdio e bronquite, daí a mortalidade tão alta.

Assista: Diferenças entre bronquite e asma

De onde vem a poluição de material particulado?

A principal fonte desse material é oriunda da queima de biomassa, material procedente de animais e vegetais e que inclui o petróleo e derivados. Nos países com maior número de mortes atribuídos à poluição, como China e Índia, a queima de biomassa ocorre para preparar alimentos e garantir o aquecimento (portanto, o inimigo esta dentro das casas). No Brasil,  a queima de biomassa é responsável por 70% de toda a poluição por particulados. Aqui e na Europa,  a maior parte da poluição está relacionada à agricultura, enquanto nos Estados Unidos a poluição causada por carros e outros veículos cresce em importância.

Nesse cenário,  é fácil entender que o desenvolvimento de megacidades, com grande concentração de casas e veículos, aliado à necessidade de grandes áreas de agricultura próximas só vai piorar o quadro. Sendo assim, espera-se o dobro de mortalidade por poluição em poucos anos.

O aquecimento global, fruto desses mesmos mecanismos de queima de biomassa, é o efeito mais discutido dessa equação, daí a importância da reunião do COP 21 ocorrida em Paris no fim de 2015. Reduzir o aquecimento a 1,5 grau Celsius acima do que se verificava antes da era industrial deve necessariamente reduzir o volume de emissão de poluentes na atmosfera .

Embora o acordo de Paris não explicite como atingir esse objetivo, o fato de que cerca de 200 países concordaram com essa meta é um pequeno avanço para reduzir a mortalidade por poluição no mundo.