Álcool e demência podem estar relacionados. Estudo mostra que o abuso de bebidas alcoólicas pode levar a distúrbios neurológicos ligados a demências.

 

As demências afetam 5% a 7% da população com mais de 60 anos.

São síndromes resultantes de degenerações cerebrais caracterizadas por deterioração progressiva das habilidades cognitivas, da independência e da capacidade de executar tarefas diárias.

Embora haja certa discordância na literatura médica a respeito do uso moderado de álcool, parece que até dois drinques por dia para homens e um para as mulheres trazem mais benefícios do que agravos à saúde (exceto um pequeno aumento na incidência de câncer de mama, mesmo nas mulheres que bebem essa quantidade).

 

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Os estudiosos, no entanto, são unânimes em apontar os malefícios causados pelo consumo excessivo: quatro ou mais drinques diários para homens dois ou mais para as mulheres.

Vale lembrar que consideramos um drinque a quantidade aproximada de álcool existente numa latinha de cerveja, numa taça de 150 ml de vinho, ou numa dose de 40 ml de destilado.

Em março de 2018, foi publicado um estudo na revista “The Lancet Public Health”, sobre a relação entre abuso de álcool e a prevalência de quadros demenciais na França.

Os autores analisaram os prontuários de todos os adultos com mais de 20 anos internados nos hospitais metropolitanos do país, entre 2008 e 2013, em busca de dados sobre a exposição ao álcool e a outros fatores de risco que aumentam a incidência de demências.

O etanol e seu metabólito, acetaldeído, têm efeito neurotóxico por ação direta, capaz de causar danos estruturais e funcionais permanentes nos tecidos do cérebro

Dos 31,6 milhões de adultos que receberam alta nesse período, 1,1 milhão foi enquadrado no diagnóstico de demência. O uso abusivo de álcool mais do que triplicou o risco de demências em mulheres e homens (3,34 vezes e 3,36 vezes, respectivamente).

Transtornos provocados pelo consumo excessivo de álcool aumentaram a prevalência de outros fatores de risco para demências: fumo, sedentarismo, hipertensão arterial, diabetes, hipotireoidismo, surdez, nível educacional baixo, traumatismos cranianos, etc.

Em todos os tipos de demências, o uso abusivo foi fator de risco isolado, independente dos demais. Como explicar?

1) O etanol e seu metabólito, acetaldeído, têm efeito neurotóxico por ação direta, capaz de causar danos estruturais e funcionais permanentes nos tecidos do cérebro;

2) O uso abusivo pode levar à deficiência de tiamina (vitamina do complexo B), que é a causa de distúrbios neurológicos bem conhecidos, como a síndrome de Wernick- Korsakoff;

3) O consumo excessivo aumenta a probabilidade de surgirem outras condições tóxicas para o cérebro: traumatismos de crânio, epilepsia, encefalopatia hepática, cirrose;

4) O uso abusivo está relacionado com a demência vascular, porque aumenta o risco de hipertensão arterial, acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos, fibrilação atrial e insuficiência cardíaca. Além de tudo, ele está ligado ao fumo, depressão e nível de escolaridade mais baixo, fatores que aumentam a probabilidade de demências.

Prezadíssimo leitor, se tiver pretensão de chegar aos cem anos sem confundir o filho mais velho com o cachorro da casa, é melhor pegar leve.