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Dermatologia

Vermelhidão na pele pode ser sintoma de rosácea

Tratamento da condição precisa ser individualizado e definido pelo dermatologista de acordo com as características de cada caso

A rosácea é uma condição inflamatória crônica caracterizada, principalmente, pela vermelhidão persistente no centro do rosto, em especial bochechas, nariz, testa e queixo. Mas ela se manifesta de formas diferentes e, em alguns casos, os pacientes desenvolvem vasos sanguíneos aparentes, lesões inflamatórias semelhantes à acne, sensibilidade intensa ou sensação de ardência. 

Por isso, o tratamento precisa ser individualizado e definido pelo dermatologista de acordo com as características de cada caso. 

Segundo Camila Sampaio Ribeiro, dermatologista com fellowship em dermatopatologia pela Universidade da Califórnia e especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), um sinal importante é a facilidade de “flushing”, crises de vermelhidão súbita com calor, emoção ou exposição solar. 

“Os principais gatilhos para agravar as crises de rosácea incluem exposição ao sol, variações de temperatura (calor ou frio intensos), consumo de álcool, alimentos muito condimentados, bebidas quentes, estresse emocional e prática de exercícios em ambientes muito quentes”, detalha Ribeiro.

Além disso, produtos cosméticos irritativos também podem piorar o quadro. 

 

Diagnóstico da rosácea

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação da pele e no histórico do paciente. Não há um exame único específico para rosácea. A médica diz que é importante procurar um dermatologista quando há vermelhidão persistente no rosto, sensibilidade aumentada, crises frequentes de rubor ou lesões inflamatórias que não melhoram com tratamentos comuns de acne. 

 

Tratamentos disponíveis

Quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil é controlar a evolução da doença. A partir disso, o tratamento é definido diante da gravidade do caso. Ele pode ser simples, com cuidados diários com a pele, como limpeza suave e uso de protetor solar adequado, além de medicamentos tópicos anti-inflamatórios. Mas também pode exigir mais intervenções.

Em casos moderados a graves, podem ser indicados antibióticos orais em baixas doses ou medicamentos específicos para controle da inflamação. Laser e luz pulsada também são opções eficazes para reduzir vasos aparentes e vermelhidão. 

O controle dos gatilhos é parte fundamental do tratamento e ajuda a reduzir as crises ao longo do tempo”, explica a especialista. 

 

Formulações adaptadas para o tratamento 

Medicamentos manipulados podem contribuir para o manejo da rosácea, destaca Luciane Bresciani Quirino, farmacêutica e assessora técnica da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag). Segundo ela, é possível ajustar concentrações, associar diferentes ativos em uma mesma formulação e selecionar os mais adequados para peles sensíveis e reativas, que são muito comuns em quem tem a doença. 

“Entre os ativos tópicos frequentemente utilizados, estão o ácido azelaico, a ivermectina, o metronidazol e a minociclina tópica, que auxiliam no controle da inflamação e dos sintomas da doença”, afirma.

Além disso, outros ativos com potencial benefício, como o ácido tranexâmico e a palmitoiletanolamida (PEA), podem ser incorporados ao tratamento quando houver indicação médica. A manipulação também permite associar ativos voltados para a recuperação da barreira cutânea, hidratação e ação antioxidante, contribuindo para maior conforto e tolerabilidade da pele.

Nos casos em que o dermatologista considera necessário, a personalização também pode envolver formulações de uso oral, com doses e apresentações ajustadas às necessidades individuais do paciente. “Essa abordagem favorece um tratamento mais direcionado, respeitando o fato de que cada pessoa apresenta manifestações e sensibilidades diferentes. Em peles extremamente sensíveis, por exemplo, pode-se optar por bases mais suaves e com maior potencial de tolerabilidade”, explica Quirino.

 

Cuidados na rotina diária

Pacientes com rosácea costumam apresentar uma pele extremamente sensível e reativa. Por isso, a escolha dos produtos utilizados na rotina diária é fundamental para evitar crises de vermelhidão, ardência e desconforto. De forma geral, recomenda-se:

  • evitar produtos que contenham álcool, acetona, mentol, cânfora, óleo de eucalipto, óleo essencial de menta e fragrâncias muito intensas; 
  • ter cautela com esfoliantes físicos, loções adstringentes, sabonetes agressivos, produtos com peróxido de benzoíla, ácido retinoico e alguns ácidos esfoliantes que podem aumentar a irritação em pessoas mais sensíveis;
  • utilizar produtos de limpeza suaves, com pH próximo ao fisiológico da pele e desenvolvidos para peles sensíveis;
  • manter a hidratação adequada e a proteção solar diária.

Como a tolerância varia de pessoa para pessoa, a avaliação do dermatologista é essencial para identificar fatores desencadeantes e definir a rotina mais adequada.

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