Muita gente percebe pequenas ondulações e marcas no queixo ao falar, sorrir ou fazer força com a boca e associa automaticamente o quadro à celulite corporal. Apesar do nome popular, a chamada “celulite no queixo” não tem relação com a celulite tradicional, comum em regiões como coxas e glúteos.
O aspecto enrugado da região costuma lembrar uma “casca de laranja”, com pequenas depressões e irregularidades na pele. Embora seja bastante comentada nas redes sociais e em consultórios estéticos, a alteração tem outra origem.
Segundo Aline Cruz Kakuda, dermatologista, a principal causa está na contração do músculo mentoniano, localizado na parte central do queixo. “Essa musculatura profunda, quando se contrai de forma intensa, acaba repercutindo na superfície da pele, criando as ondulações e o aspecto enrugado”, explica.
O que causa a “celulite no queixo”?
O músculo mentoniano participa dos movimentos da boca e das expressões faciais. Em algumas pessoas, ele se contrai de forma mais evidente durante a fala ou determinadas expressões, deixando a pele marcada temporariamente ou de forma constante.
A intensidade dessa alteração varia de acordo com fatores individuais, como anatomia facial, força muscular e qualidade da pele. O envelhecimento e a perda de colágeno também podem deixar o quadro mais aparente ao longo dos anos.
Diferentemente da celulite corporal, a condição não está relacionada ao acúmulo de gordura, retenção de líquidos ou alterações circulatórias.
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Exercícios e massagens funcionam?
Apesar da popularização de exercícios faciais e massagens para a região do rosto, a especialista afirma que essas estratégias não costumam trazer resultados efetivos para o quadro.
“O principal tratamento atualmente é a aplicação de toxina botulínica na região, justamente para reduzir a contração do músculo mentoniano”, afirma Kakuda.
A toxina botulínica atua relaxando a musculatura local e suavizando as ondulações da pele. O efeito costuma durar entre quatro e seis meses, sendo necessárias reaplicações para manutenção do resultado.
Quando outros tratamentos podem ser indicados?
Em alguns pacientes, a alteração muscular vem acompanhada de questões relacionadas ao contorno facial e à estrutura do queixo. Nesses casos, o uso de ácido hialurônico pode ajudar a melhorar a harmonia da região.
“Utilizamos, geralmente, ácidos hialurônicos mais densos para promover remodelamento do queixo e melhorar o contorno facial”, explica a dermatologista.
Os resultados costumam durar entre 10 e 18 meses, dependendo das características de cada paciente.
Os bioestimuladores de colágeno também podem ser utilizados em alguns casos, embora tenham indicação mais limitada para a área. Nessa situação, o objetivo é melhorar a firmeza e a textura da pele.
Quem deve evitar os procedimentos?
Antes de qualquer intervenção, é necessária uma avaliação médica individualizada. Pessoas com doenças autoimunes, alterações de coagulação, doenças neuromusculares, alergias aos componentes utilizados ou histórico de cirurgias e traumas na região precisam de atenção especial.
Além disso, por se tratar de uma área delicada e vascularizada, os procedimentos devem ser realizados apenas por médicos capacitados. “Todos esses tratamentos são feitos através de injeções locais e exigem conhecimento técnico para minimizar riscos e complicações”, alerta a especialista.
Entre os possíveis efeitos adversos estão hematomas, infecções, assimetrias e lesões locais, principalmente quando os procedimentos são realizados de forma inadequada.
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