De tempos em tempos, surge o boato de que cozinhar em panelas de alumínio é prejudicial à saúde. Será? A agência de checagem de notícias em saúde Drops checou

 

Essa história não é nova! Quem nunca ouviu que “cozinhar em panela de alumínio pode fazer mal à saúde”? Não são poucos os blogs, sites e posts em redes sociais que relatam uma lista de doenças causadas pelo consumo de alimentos “contaminados com o alumínio das panelas”, em especial a doença de Alzheimer.

 




QUEM DISSE? Superinteressante

 

O QUE DISSE? “Sabe aquela panela de alumínio antiga, que você ganhou da sua avó? Pode usar sem medo: esse é mais um daqueles mitos sem pé nem cabeça”1

 




QUANDO DISSE? 31/10/2016

 

CHECAGEM: VERDADEIRO

 




Veja também: Recipientes plásticos oferecem risco à saúde?

 

CONTEXTO

 

Há algum tempo, a revista “Superinteressante” fez uma matéria desmistificando a história de que panelas de alumínio podem ser perigosas para a saúde. Essa “lenda urbana” de tempos em tempos reaparece, principalmente na forma de um texto repassado por Whatsapp chamado de “Alumínio, útil mas mortal”, no qual o suposto autor lista uma série de doenças que podem ser causadas pelo contato excessivo com o metal e, em especial, pela ingestão de alimentos cozidos em panelas de alumínio.




Mas será que confere? A DROPS checou!

 

O QUE DIZ A CIÊNCIA

 

O alumínio é o metal mais abundante no planeta e pode ser encontrado em inúmeros objetos com os quais temos contato diariamente, como, por exemplo, utensílios de cozinha.




Por ser tão comum, inevitavelmente todos nós estamos expostos diariamente a ele, seja através da inalação de partículas presentes no ar, da ingestão de resíduos de alumínio presentes na água, em alimentos e medicamentos ou até mesmo através da absorção pela pele.

Neste contexto, em 2008 uma publicação da Agência para Substâncias Tóxicas e Registros de Doenças dos EUA2 afirmou que “a exposição aos níveis de alumínio que estão naturalmente presentes nos alimentos e na água e as formas de alumínio presentes nas panelas não são consideradas prejudiciais. Comer grandes quantidades de alimentos processados ​​contendo aditivos de alumínio ou frequentemente cozinhar alimentos ácidos em panelas de alumínio pode expor uma pessoa a níveis mais altos de alumínio (…). No entanto, os níveis de alumínio encontrados em alimentos processados ​​e alimentos cozidos em panelas de alumínio são geralmente considerados seguros”.

Em 2011, o relatório conjunto de um comitê de cientistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO)3 afirmou que a ingestão semanal tolerável provisória (PTWI) do alumínio seria de 2 mg por kg de peso corpóreo por semana.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)4  utiliza os dados do relatório da FAO/OMS citado anteriormente como base para definir que a a dose de 1 a 7 mg/kg peso corpóreo por semana é a tolerável para o consumo de alumínio.




Sabendo disso, vamos às panelas.

Um estudo de 2007 de pesquisadores vinculados ao Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL)5 analisou a quantidade de metal liberado em diferentes alimentos quando cozidos em panelas de alumínio e concluiu que “a ingestão de alumínio proveniente da migração do metal da panela para o alimento não representa risco para a saúde humana e está bem abaixo do limite tolerável internacionalmente aceito”, representando apenas 2% do limite de 1 mg/kg de peso por semana.

Considerando o posicionamento da Organização Mundial da Saúde, da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, da Agência para Substâncias Toxicas e Registros de Doenças dos EUA e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Drops classifica a afirmação Sabe aquela panela de alumínio antiga, que você ganhou da sua avó? Pode usar sem medo: esse é mais um daqueles mitos sem pé nem cabeça” como VERDADEIRA.

 




Referências

 

Acesso em 12/03/2019:

¹ https://super.abril.com.br/saude/cozinhar-em-panelas-de-aluminio-e-perigoso/

² https://www.atsdr.cdc.gov/phs/phs.asp?id=1076&tid=34




³ https://www.who.int/foodsafety/areas_work/chemical-risks/jecfa/en/

⁴ http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/391619/RESOLU%25C3%2587%25C3%2583O%2BRDC%2BN%2B%2B46%2BDE%2B3%2BDE%2BNOVEMBRO%2BDE%2B2010%2B.pdf/a74580f5-ab7c-4ee6-85c3-abe09cd8c41b

⁵ http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-20612007000200014