Há alguns meses, Drops checou e confirmou que a carne de frango, ao contrário do que a maioria dos brasileiros pensa, não tem hormônio.

E os antibióticos? Estaria a fonte de proteína mais consumida no país livre dessas substâncias também?

Uma reportagem recente do jornal Correio Braziliense afirmou que o uso desses medicamentos nos animais de corte oferece riscos à saúde dos consumidores. Será que é verdade? Veja o que Drops checou e encontrou.

Afirmação: Uso de antibióticos em animais criados para consumo traz riscos a humanos.

Checagem: Verdadeiro, mas…

 

Contexto

 

Há mais de 50 anos, os mesmos remédios usados para tratar doenças em humanos são empregados na criação não só de frangos, mas também de suínos, bovinos, peixes e outros animais destinados ao consumo humano. Essa é uma prática comum e regulada pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que é responsável por estabelecer quais substâncias estão autorizadas e de que maneira elas podem ser usadas.

Mas se essa é uma prática legal e considerada segura pelo órgão competente, por que até o Mc Donald’s anunciou que tomará medidas para reduzir o uso global de antibióticos no frango que utiliza? Será que esses produtos fazem mal à saúde humana?

 

O que diz a ciência

 

O uso de antibióticos na produção de frango (e de outros animais) segue regras específicas que têm como objetivo garantir a segurança do produto que será oferecido aos consumidores.

Por si só, essa pratica não oferece perigo à saúde humana. No entanto, segundo estudo publicado pela prestigiada revista médica “The Lancet” no último dia 6 de novembro, o uso exagerado desses medicamentos na medicina humana, veterinária e na agricultura tem sido associado ao aumento da resistência aos antibióticos globalmente.

A resistência aos antibióticos (ou antimicrobianos) é a capacidade das bactérias de resistir aos efeitos desses medicamentos – ou seja, os germes não são mortos e seu crescimento não é interrompido. Dessa forma, o medicamento que antes funcionava para determinada doença passa a ser ineficaz. Para o CDC (Centers for Disease Control and Prevention – Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência norte-americana que fornece informações sobre saúde), a resistência aos antibióticos é uma condição que adoece mais de 2 milhões de pessoas e causa a morte de outras 23 mil a cada ano.

Segundo o FDA (agência do governo norte-americana que regula alimentos e medicamentos), na produção de animais para consumo os antibióticos são utilizados não somente para tratar e prevenir doenças, mas também para otimizar e acelerar o consumo de comida no processo de ganho de peso. Esse uso pouco seletivo seria a causa da expansão da resistência aos antibióticos.

Outra entidade que afirma que a ampla utilização desses medicamentos na agricultura contribui para o aumento da resistência aos antibióticos é a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em diretrizes publicadas há poucos dias a entidade faz uma série de recomendações quanto ao uso de tais substâncias na produção de carne animal para consumo.

O governo brasileiro, através da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), publicou um plano de ação no qual compartilha da opinião de que a resistência aos antibióticos é um problema de saúde pública, e que uma de suas causas é o uso inadequado desses medicamentos na produção de animais para consumo.

 

Checagem: Verdadeiro, mas…

 

Após a consulta dos dados científicos existentes, Drops viu que existem evidências de que o uso inadequado de antibióticos na produção de frango contribui para o aumento da resistência a esses medicamentos.

No entanto, apesar da frase “Uso de antibióticos em animais criados para consumo traz riscos a humanos” ser verdadeira, ela requer uma contextualização adequada, que explique ao leitor que o consumo desse alimento não oferece um risco direto, porém favorece a exposição de todos (inclusive não consumidores) a um problema de saúde pública: a resistência a antibióticos.

Para lidar com esse risco, a Anvisa criou um Plano de Ação em Resistência a Antimicrobianos, que deve ser executado nos próximos 5 anos. A meta da agência é reduzir em 15% o consumo de antimicrobianos entre 2017 e 2021 e avaliar anualmente os resultados obtidos.