O endométrio é a mucosa que reveste o útero. O estrogênio representa um dos principais estímulos para que ele se prolifere, mas o tecido adiposo também pode atuar nesse processo, especialmente após a menopausa. Nesse período, os ovários praticamente param de produzir estrogênio, mas pequenas quantidades ainda são produzidas pelas células de gordura do tecido adiposo.
Em mulheres com obesidade ou sobrepeso, o estímulo do estrogênio segue continuamente, só que agora sem a proteção da progesterona. Isso pode provocar um espessamento anormal do endométrio e, consequentemente, mutações celulares descontroladas que resultam no câncer de endométrio.
“Além disso, a obesidade está relacionada a um estado de inflamação crônica e também aos efeitos insulina, o que leva à proliferação do endométrio. Portanto, a obesidade é o principal fator de risco para o câncer de endométrio”, explica Daniele Assad, oncologista e diretora da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA).
Sintomas e diagnóstico do câncer de endométrio
Ao contrário do câncer de colo do útero e do câncer colorretal, não há indicação de exame de rastreamento para câncer de endométrio.
Os sinais da doença envolvem sangramentos vaginais durante a menopausa. Nesses casos, deve-se fazer um exame de imagem, como uma ecografia transvaginal ou uma ressonância. Se for identificado o espessamento do endométrio, será preciso realizar uma biópsia.
“A biópsia do endométrio pode ser feita por aspiração no consultório ou, de forma mais comum, por histeroscopia. Retiram-se fragmentos do endométrio para análise histológica. É dessa forma que se faz o diagnóstico”, detalha Assad.
Tratamento combinado
A mulher obesa com câncer de endométrio precisa, primeiro, tratar o tumor. O tratamento consiste em uma combinação de cirurgias e pode ser necessário opções complementares para aumentar a chance de cura, como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia.
“O tipo de tratamento e a combinação terapêutica vão depender do estadiamento da doença, ou seja, do volume de doença apresentado por essa paciente. A obesidade também precisa ser tratada, porque já temos estudos mostrando que mulheres com sobrepeso ou obesidade apresentam maior chance de retorno da doença”, destaca a especialista.
Atualmente, o tratamento da obesidade é multidisciplinar, envolvendo endocrinologistas, psicólogos e educadores físicos. Os medicamentos agonistas de GLP-1 também são indicados e estudos iniciais indicam que possivelmente possam contribuir de forma positiva para o combate ao câncer de endométrio.
Veja também: Obesidade: o que esperar dos novos tratamentos e combinações terapêuticas? – DrauzioCast #237




