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Alimentação

A alimentação pode contribuir para a cicatrização da pele?

O consumo adequado de nutrientes pode ajudar na regeneração dos tecidos e favorecer uma recuperação mais eficiente

O processo de cicatrização envolve mais do que repouso e cuidados externos, como o uso de medicamentos e a troca de curativos. A alimentação adequada também pode fazer diferença na recuperação. De forma geral, nutrientes essenciais, como proteínas, vitaminas e minerais, ajudam o corpo a reconstruir tecidos, reduzir inflamações e acelerar a recuperação da pele.

“A cicatrização é um processo biologicamente complexo e altamente dependente de energia e de diversos nutrientes. Além disso, envolve etapas bem coordenadas como inflamação, proliferação celular, síntese de colágeno, formação de novos vasos e remodelação tecidual”, explica Bárbara Miguel, dermatologista do Hospital Albert Einstein (SP).

 

O que comer e o que evitar durante a cicatrização

Manter o corpo bem nutrido é fundamental para a cicatrização após cirurgias ou ferimentos. A ingestão adequada de líquidos, especialmente água, ajuda a reduzir inchaços e permite que o organismo concentre energia na recuperação dos tecidos.

“A base para a construção de um novo tecido depende principalmente das proteínas, essenciais para a síntese de colágeno e a formação de novos vasos sanguíneos. Se houver deficiência proteica na alimentação ou no estado nutricional do paciente, a cicatrização pode ser incompleta e a cicatriz ficar inadequada”, destaca Nivaldo Alonso, cirurgião plástico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

O especialista ressalta que as vitaminas A, C e K também desempenham papel importante na recuperação da pele. Além disso, minerais como zinco e cobre participam da reconstrução celular e da produção de colágeno e elastina. 

Já os carboidratos integrais (como arroz, aveia, pães e massas integrais, quinoa e batata-doce) fornecem energia constante, necessária para sustentar a reparação da pele.

Mas nem tudo o que vai ao prato ajuda na recuperação: alguns alimentos podem atrasar a cicatrização e prejudicar a regeneração dos tecidos. É o caso de carboidratos simples, bebidas alcoólicas e frituras, que podem retardar a cicatrização. Alimentos ultraprocessados também devem ser evitados, pois podem comprometer a circulação e atrasar o processo de reparação cutânea.

Veja também: Dieta hospitalar: conheça os tipos e a importância para a recuperação do paciente

 

Importância da avaliação nutricional

Pessoas com deficiência nutricional apresentam risco significativamente maior de complicações após cirurgias ou ferimentos na pele. Entre os problemas mais comuns estão infecções, abertura das feridas e formação inadequada da cicatriz, além do aumento da mortalidade.

“Diretrizes internacionais, como as do Enhanced Recovery After Surgery (ERAS), reforçam a importância da triagem nutricional e da correção de deficiências no período que antecede cirurgias e após os procedimentos, incluindo suplementação proteica e de micronutrientes quando indicada”, afirma a dra Bárbara.

A avaliação deve ser clínica e detalhada, incluindo histórico alimentar, investigação de perda de peso recente, redução da ingestão alimentar, alterações do apetite e presença de doenças associadas, como diabetes e câncer. Além disso, pacientes que seguem dietas restritivas, com histórico de etilismo, sarcopenia e idosos exigem atenção redobrada. 

“A adoção de padrões alimentares saudáveis e a correção dirigida de deficiências nutricionais são estratégias fundamentais para otimizar a recuperação da pele e melhorar a qualidade das cicatrizes, especialmente em indivíduos mais vulneráveis”, finaliza Durval Ribas Filho, nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

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